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Cronograma é mais crítico na BR-153, que liga Goiás a Tocantins

Leilões de rodovias previam investimentos de quase R$ 20 bilhões nos primeiros cinco anos de contrato

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2016 | 22h00

Entre 2012 e 2014, a presidente afastada Dilma Rousseff leiloou sete lotes de rodovias no Brasil, com deságios que chegaram a 61%. Pelos editais, as estradas receberão R$ 36 bilhões de investimentos durante o período de concessão, de até 30 anos. Desse total, algo em torno de R$ 20 bilhões seriam investidos nos primeiros cinco anos.

Desse grupo, a rodovia que está em situação mais delicada é a BR-153, entre Anápolis (GO) e Aliança do Tocantins (TO). Até hoje a concessionária, controlada pela Galvão Engenharia, envolvida na Lava Jato, não conseguiu financiamento para fazer nem os 10% iniciais de duplicação. A empresa, em recuperação judicial desde o ano passado, já foi autuada 28 vezes pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) por descumprimento de contrato e pode perder a concessão.

Outra que aguarda financiamento do BNDES é a Rota do Oeste, do Grupo Odebrecht. A empresa, que administra 850 km da BR-163, em Mato Grosso, fez todos os investimentos iniciais previstos em contrato. No primeiro ano, duplicou toda a região de Rondonópolis, que era considerada uma área crítica para o agronegócio. Neste ano, a concessionária começaria a fazer a região de Nova Mutum, mas suspendeu as obras até que os empréstimos sejam liberados.

Segundo fontes, por causa da medida, mais de 540 equipamentos pesados, como caminhões, tratores e centrais de asfalto estão parados na região. “O atraso no financiamento de longo prazo obrigou a concessionária a adiar a segunda etapa das obras da duplicação”, afirma a empresa. Apesar disso, ela diz que antecipou algumas obras e entregou, em março deste ano, 117 km de duplicação – 45 km a mais que o previsto. Segundo levantamento feito pelo Estado, até abril, havia pelo menos dez obras (ou serviços) programadas para os primeiros meses deste ano e que não foram concluídas.

Na Via 040, do Grupo Invepar (que tem como sócio a OAS, também envolvida na Lava Jato), esse número chegava a 25 obras – de duplicações a construção de passarelas – e 20 serviços de atendimento ao usuário com o cronograma atrasado. A empresa não quis se pronunciar e afirmou que quem está tratando do assunto é a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

No caso da Eco 101, do Grupo Ecorodovias, há 47 obras com o cronograma atrasado. Apesar de já ter o financiamento do BNDES, a empresa tem problemas com embargos das prefeituras locais e atraso nos licenciamentos ambientais. Concebra, da Triunfo, e MSVia, da CCR, também têm cronogramas fora do prazo. Em nota, a CCR MSVia informou que os postos de Polícia Rodoviária Federal foram entregues, que os projetos dos postos de pesagem estão sob avaliação da ANTT e os terrenos em fase de desapropriação. “Os primeiros trechos de duplicação foram entregues antes do prazo e os demais trechos estão em andamento, devendo começar a ser entregues ao tráfego a partir de agosto”, diz a empresa.

A MGO, de um grupo de nove empresas, tinha obras atrasadas no relatório da ANTT, mas apresentou um novo documento atualizado em que mostra estar em dia com o contrato. “Com a retração da economia e projeções desfavoráveis para os próximos anos, preocupa a não obtenção desses créditos e a execução dos investimentos previstos para os cinco primeiros anos da concessão. Hoje, já estamos sofrendo a consequência da retração da receita”, afirma a empresa. 

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