Cruzada pró-euro e EUA animam mercados globais

Depois de Draghi, Merkel e Hollande prometeram ontem proteger a zona do euro; PIB americano projeta mais estímulos do Fed

BERLIM , O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h10

A esperança de que as autoridades europeias não vão deixar o navio naufragar para cuidar apenas dos sobreviventes despertou ontem o apetite por risco nos mercados globais e no Brasil. As bolsas fecharam com forte alta com a disposição da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e do presidente da França, François Hollande, em fazer tudo que for possível para proteger a zona do euro - repetindo o discurso feito, na quinta-feira, pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

Mais cedo, nem a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos do segundo trimestre abaixo do crescimento registrado no trimestre anterior diminuiu o apetite dos investidores. Pelo contrário, sustentou a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) volte a adotar medidas de estímulo, animando ainda mais os mercados.

Merkel e Hollande divulgaram comunicado conjunto, depois de uma conversa por telefone, dizendo que os dois países "estão profundamente comprometidos com a integridade da zona do euro e determinados a fazer tudo para protegê-la". A declaração surge em meio à crescente pressão na Alemanha para que a Grécia saia da zona do euro e às expectativas de que possa haver uma ação coordenada entre os membros do bloco e o BCE para apoiar Espanha e Itália.

Os dois líderes disseram que os países-membros e as instituições europeias precisam cumprir com suas responsabilidades. Merkel e Hollande também afirmaram ser necessário que os Estados implementem rapidamente as decisões tomadas na cúpula de líderes da União Europeia realizada no fim de junho.

Ação. O jornal francês Le Monde informou ontem que o BCE está preparando uma ação coordenada com os países europeus. O objetivo do plano é conter o aumento dos yields (retorno ao investidor) dos bônus da Espanha e da Itália, que estão tornando cada vez mais difícil para os dois governos se financiarem sozinhos nos mercados.

De acordo com fontes citadas pelo jornal, inicialmente a ideia é acionar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) ou o fundo que o sucederá em setembro, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), para que compre no mercado primário dívida emitida por Madri ou Roma. Depois disso, o BCE retomará seu programa de compra de bônus no mercado secundário. "O BCE não vai sem os governos. O BCE agirá se eles estiverem prontos para acionar os fundos de resgate", declarou uma das fontes ao Le Monde. O jornal acrescentou que os contatos entre Mario Draghi e os principais dirigentes da zona do euro se multiplicaram nos últimos dias.

EUA. Do outro lado do Atlântico, o Departamento do Comércio americano divulgou que o PIB do país no segundo trimestre cresceu 1,5%, acima da previsão dos economistas consultados pela Dow Jones de expansão de 1,3%, mas representou uma desaceleração em relação ao avanço registrado no primeiro trimestre, que foi revisado para cima (2,0%). No entanto, a desaceleração foi vista como justificativa para que o Fed retome os estímulos à economia.

A desaceleração dos gastos do consumidor e dos governos estatais e locais pesou sobre o PIB no segundo trimestre. Os gastos dos consumidores cresceram apenas 1,5%, o menor avanço em um ano e abaixo da alta de 2,4% registrada no primeiro trimestre. Já os gastos do governo cortaram 0,28 ponto porcentual do crescimento geral da economia, ao recuarem 2,1% em âmbito estadual e local e 0,4% em âmbito federal.

A avalanche de otimismo fez as bolsas dispararem. A Bovespa recuperou, de quinta-feira para ontem, mais de 2.500 pontos, fechando em alta de 4,72%. Na Europa, Paris subiu 2,28%; Frankfurt, 1,62%; e Londres, 0,97%. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones subiu 1,46% e o Nasdaq, das empresas de tecnologia, 2,24%. / ALESSANDRA TARABORELLI COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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