Cruzeiro do Sul acerta a compra do Prosper

Negócio tira pressão do Prosper, que estava fora das regras do Banco Central

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h04

O Banco Cruzeiro do Sul fechou ontem a compra do Banco Prosper. O contrato foi assinado por volta das 10h30 e a Prosper Corretora ficou fora da operação, segundo uma fonte próxima das negociações. A operação, antecipada pela colunista Sonia Racy em seu blog, deve ser anunciada oficialmente durante o fim de semana ou na segunda-feira.

O Prosper estava descapitalizado. O índice de Basileia do banco estava, em agosto, em 8%, abaixo do mínimo de 11% exigido pelo Banco Central (BC), de acordo com os dados mais recentes disponíveis no site da autoridade monetária.

O Índice de Basileia relaciona a quantidade de capital que um banco precisa ter e o montante de empréstimos que pode realizar. No Brasil, para cada R$ 1, a instituição financeira pode conceder até R$ 9 em crédito.

Na situação em que se encontrava, o Prosper praticamente não conseguia mais operar, visto que a função primordial de um banco é dar crédito (recebe dinheiro de um lado, ou seja, faz a captação, e o repassa para os tomadores).

O Estado apurou que, por causa dessa situação delicada, o Prosper procurou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), criado em 1995 com objetivo de proteger os depósitos dos correntistas brasileiros em caso de quebra de algum banco.

O FGC indicou aos controladores do Prosper o Cruzeiro do Sul, que tinha interesse em se expandir no mercado por meio de aquisições. Apesar de ter patrocinado a aproximação, o FGC não colocou dinheiro no negócio.

Nos últimos anos, o FGC assumiu um novo papel no sistema financeiro, uma espécie de linha auxiliar do BC na resolução de problemas envolvendo a solvência de instituições. Foi o FGC, por exemplo, que cobriu grande parte do rombo de R$ 4,3 bilhões do banco Panamericano. Essa atuação tem provocado críticas no mercado, inclusive de executivos de grandes bancos.

A atuação do banco Prosper é forte no mercado de câmbio e em operações de crédito para empresas. A instituição tem R$ 550 milhões de ativos e teve prejuízo de R$ 20,4 milhões neste ano, até agosto.

O Prosper, controlado pelo grupo Peixoto de Castro, foi criado como uma corretora em 1983. Em 1990, foi transformado em banco múltiplo. Em 2005, foi criada a gestora de recursos da instituição.

Consignado. O Cruzeiro do Sul tem como foco principal o crédito consignado e tem ativos de R$ 10 bilhões. O banco tem Índice de Basileia de 13,7% e carteira total de empréstimos de R$ 8 bilhões. Pertence à família Índio da Costa que, assim como os controladores do Prosper, também é do Rio. O balanço do banco do terceiro trimestre, que apontou lucro de R$ 116,5 milhões no acumulado do ano, está sendo contestado pela auditoria (KPMG).

A corretora do Prosper segue como operação independente. Em 2008, o executivo Armênio dos Santos Gaspar Neto, ex-presidente da Fator Corretora, comprou 50% da Prosper Corretora e passou a tocá-la.

Procurados, o Cruzeiro do Sul e o Prosper não se pronunciaram sobre o assunto. / COLABOROU LEANDRO MODÉ

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