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Cruzeiro do Sul compra grupo de educação em São Paulo

Ao adquirir centros universitários e colégios no interior do Estado por cerca de R$ 100 mi, empresa aumentará em 10% total de alunos

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2015 | 02h05

O grupo de educação Cruzeiro do Sul, que tem o fundo britânico Actis como sócio, acaba de fazer uma aquisição que vai aumentar seu total de alunos no Brasil em 10%, para cerca de 130 mil. Segundo apurou o 'Estado', a empresa pagou cerca de R$ 100 milhões pela totalidade dos ativos do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), dona de dois câmpus de ensino superior e de dois colégios (incluindo um Objetivo) nas cidades de Itu e Salto, interior de São Paulo.

Com a aquisição, a Cruzeiro do Sul Educacional, que tem posição intermediária no mercado, tenta ganhar porte para continuar a concorrer com gigantes como Kroton e Estácio. Segundo o diretor de planejamento do grupo, Fábio Figueiredo, a estratégia é angariar instituições não necessariamente grandes, mas com posição de liderança nos municípios onde atuam - a Ceunsp, segundo ele, se encaixaria nesta categoria. "A competição da educação no Brasil é local, não nacional. Por isso, mantemos as marcas das instituições que compramos em vez de transformar todas em Cruzeiro do Sul."

Figueiredo não quis revelar o valor da compra da Cruzeiro do Sul. No entanto, fontes de mercado estimam que o total teria ficado em torno de R$ 100 milhões, já que o setor hoje trabalha com um valor por aluno entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. Neste caso, a aposta é que o desembolso tenha ficado no piso das estimativas, até por causa da crise econômica atual.

Novos nichos. Um caminho que está sendo trilhado pela Cruzeiro do Sul - e que deve se tornar prática comum também entre as líderes de mercado - é a compra de escolas de ensino fundamental e médio. Na opinião de Carlos Monteiro, da CM Consultoria, especializada em educação, parte dessa migração é incentivada por um movimento que ele classifica de "fim da utopia do Fies".

Monteiro se refere às restrições que o governo deve impor para liberação de novos contratos de financiamento de educação superior nos próximos anos. "Acho que vão sobrar uns 250 mil contratos por ano, de um total que já chegou a 750 mil. Isso se as contas do governo não se deteriorarem mais."

A Cruzeiro do Sul diz estar vivendo um bom ano, apesar de as mudanças no Fies terem sido um forte baque para o setor de educação. "Nossa exposição ao Fies é menor, de cerca de 20%", diz Figueiredo. "É claro que o financiamento ajudava, mas não era fundamental para nós." A empresa pretende fechar o ano de 2015 com faturamento de R$ 850 milhões. A meta é superar a marca de R$ 1 bilhão no ano que vem.

Estratégia. O grupo educacional, fundado em 1965 na capital paulista, tem entre seus maiores ativos as universidades Cruzeiro do Sul e Cidade de São Paulo, ambas na capital paulista, e o Centro Universitário do Distrito Federal. As demais aquisições da empresa se concentraram, até o momento, no interior e litoral de São Paulo.

Outro esforço da companhia, segundo o executivo, é ampliar a plataforma de ensino a distância. Fontes do setor de educação ainda veem a atuação do Cruzeiro do Sul nesta área como incipiente.

Apesar de ter uma fatia de 40% do seu capital nas mãos do fundo de private equity Actis, a Cruzeiro do Sul ainda é menor que concorrentes como Kroton, Estácio, Unip, Anima, Ser Educacional e Laureate. Para o consultor Monteiro, um salto considerável no número de alunos do grupo é necessário para que o grupo não passe a ser um alvo fácil para a concorrência. "O setor tem vários 'jogadores' em condições de comprar (a Cruzeiro do Sul)."

 

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