CSA quer fechar acordos com siderúrgicas brasileiras

Desafio da empresa, controlada pela alemã ThyssenKrupp, é ser rentável sozinha no Brasil

O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h41

A missão do alemão Michael Höllermann no Brasil ganhou uma nova dimensão no dia em que a ThyssenKrupp decidiu vender a sua laminadora no Alabama, Estados Unidos, para o consórcio formado pela ArcelorMittal e Nippon Steel & Sumitomo. Com essa transação, Höllermann, nomeado em junho de 2012 para conduzir todas as operações brasileiras do grupo alemão, ganhou também o desafio de repensar os negócios da carioca Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA).

A empresa passou cerca de um ano e meio à venda e deveria ser negociada junto com a divisão americana. A CSA ficou no grupo e Höllermann terá de pensar em formas de tornar o negócio rentável.

Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Höllermann admite que, hoje, seu maior desafio chama-se CSA. "Quando assumi já era uma prioridade, mas a responsabilidade era menor, porque eu acompanhava regionalmente o processo de potencial venda", disse o executivo.

A CSA e a usina nos Estados Unidos foram concebidas para operarem de forma conjunta. O plano da CSA era produzir placas de aço no Rio e mandá-las para laminação no Alabama. De lá, abasteceria clientes da indústria americana. No entanto, a crise de 2008 bateu em cheio nas operações nas Américas da alemã, trazendo prejuízos.

A empresa decidiu se desfazer dos ativos e pretendia vender ambas as unidades para um único comprador, para manter as operações integradas. Mas acabou vendendo apenas a unidade americana. Höllermann explica que a negociação tratou de garantir um futuro para a CSA. Segundo ele, foi costurado um acordo para que os novos donos da usina americana comprassem dois milhões de toneladas de placas de aço por ano da CSA, no período de seis anos.

"Nós tivemos até a oportunidade de vender a unidade dos Estados Unidos mais cara. Mas fizemos questão de prever no contrato de venda um certo nível de ocupação aqui no Brasil. Fizemos concessões para garantir isso", contou o executivo.

Neste momento, a CSA já opera com uma utilização de sua capacidade de 80%, de um total de cinco milhões de toneladas anuais. Mas, como a ThyssenKrupp ficou com a CSA, a ideia agora é elevar esse porcentual.

Para isso, a empresa tenta estabelecer um laço comercial com as siderúrgicas que possuem laminadora a quente no Brasil e não depender apenas da ex-unidade americana.

Uma das compradoras das placas da CSA é a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que chegou a fazer uma oferta pelas duas usinas da Thyssen nas Américas, mas cujo valor foi considerado baixo, segundo fontes que acompanharam as negociações. Por outro lado, mesmo sem ter fechado o negócio, a CSN segue interessada nas placas da CSA, já que a siderúrgica de Volta Redonda opera com capacidade máxima.

Integração. Mas os desafios da ThyssenKrupp no Brasil vão além de levar a CSA para o azul. Höllermann terá de integrar as operações da companhia e mostrar que ela atua em mais de cinco áreas no Brasil e não apenas no ramo de elevadores, onde é mais conhecida. "Ter 14 empresas separadas no Brasil torna a carga tributária muito pesada". explica.

Até agora, a Thyssen uniu três unidades do setor de serviços industriais e no mês de maio integrará outros quatro negócios do ramo automotivo.

Outro prioridade é crescer em alguns setores que, segundo o executivo, a presença da ThyssenKrupp poderia ser maior no Brasil. Na lista estão óleo e gás, fertilizantes, mineração e aviação. / F.G.

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