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CSN anuncia que fará nova usina de aço no Nordeste

Empresa deve investir US$ 9 bilhões em três usinas, incluindo a do Nordeste, Itaguaí (RJ) e Congonhas (MG)

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, anunciou ontem que a empresa pretende construir uma usina de placas de aço no Nordeste, com capacidade de produção de 4,5 milhões de toneladas por ano. A empresa já havia anunciado antes a intenção de construir duas novas usinas de placas, cada uma com capacidade de produção anual também de 4,5 milhões de toneladas. ''''Vamos viabilizar três projetos: Itaguaí (RJ), Congonhas (MG) e outro em local a ser definido. Provavelmente no Nordeste'''', disse o empresário.Steinbruch não definiu prazos para os projetos entrarem em operação. Disse apenas que, em quatro anos, os investimentos da empresa devem chegar a US$ 9 bilhões. Atualmente, a CSN produz 5,8 milhões de toneladas de aço por ano. O empresário fez as declarações no debate ''''Estratégia Nacional de Desenvolvimento'''', promovido pela Fundação Getúlio Vargas, e que contou também com a presença de Jorge Gerdau, do Grupo Gerdau.Os novos planos de expansão da CSN no mercado local chegam após a empresa sofrer três derrotas em disputas por siderúrgicas no exterior em menos de um ano - Wheeling Pittsburgh (EUA), Corus (Inglaterra/Holanda) e Sparrows Point (EUA). Apesar disso, Steinbruch diz que ainda tem planos de se expandir no exterior. ''''Estamos avaliando as oportunidades'''', disse.O modelo a ser seguido parece ser o da Gerdau, o grupo siderúrgico nacional com maior presença no exterior. ''''Gostaria de ter feito pelo menos parte do que a Gerdau fez em internacionalização'''', disse o Steinbruch.O presidente da CSN disse também que não conta mais com a chinesa Baosteel como parceira na construção da usina de Itaguaí - local onde a empresa construiu um porto que deverá transformá-la também numa exportadora de minério de ferro. ''''Eles (Baosteel) escolheram o projeto do Espírito Santo. Entendo que eles não vão mais ficar no projeto de Itaguaí'''', disse.O projeto do Espírito Santo a que Steinbruch se refere é uma usina siderúrgica que será erguida no Estado numa parceria entre a Baosteel e a Companhia Vale do Rio Doce. E o empresário não perdeu a oportunidade de, mais uma vez, criticar a rival Vale, com quem protagoniza uma grande disputa comercial. A briga tem como ponto de discórdia a mina Casa de Pedra, de propriedade da CSN e na qual a Vale tem direito de preferência na compra do minério que não for usado pela siderúrgica.O Cade já determinou, em 2005, num processo relativo à concentração no mercado de minério de ferro, que a Vale deve abrir mão desse direito de preferência ou vender a mineradora Ferteco. A Vale, que tenta reverter a decisão na Justiça, já informou que, se for mesmo obrigada a cumprir a decisão, abrirá mão do direito de preferência. Mas vai pedir uma compensação financeira à CSN por isso.Steinbruch reagiu a essa proposta ontem. ''''Não há nada a ser ressarcido'''', disse. O empresário disse já ser obrigado a oferecer minério para a Vale a preço de mercado. Portanto, sem necessidade de ressarcimento sobre esse direito. Steinbruch acusou a Vale de adotar uma postura ''''postergatória'''' ao não cumprir a decisão do Cade. Para ele, entretanto, está perto a conclusão do assunto. A previsão da CSN é que o assunto esteja liquidado em 30 dias.A Vale, no entanto, voltou a reiterar ontem mesmo que acredita ter direito à indenização da CSN. Segundo o advogado Alberto Pavie, que acompanha o processo para a mineradora, esse direito foi reiterado em liminar concedida pelo desembargador Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. ''''A liminar foi concedida na sexta-feira'''', disse. Pavie contestou as declarações de Steinbruch. ''''A liminar dá mais força ao nosso direito.'''' COLABOROU ALAOR BARBOSA PLANOS DA CSNNordeste: Construção de uma usina de placas de aço com capacidade para produção de 4,5 milhões de toneladas por anoItaguaí: Projeto prevê a construção de uma usina de 4,5 milhões de toneladas com investimento estimado em US$ 3 bilhõesCongonhas: Plano é construir uma usina também de 4,5 milhões de toneladas ao ao lado da Mina Casa de PedraCasa de Pedra: A mina receberá investimentos para chegar à produção de 55 milhões de toneladas de minério de ferro por ano

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