CSN corta investimento para este ano em 41%

Apesar do preço do minério de ferro, que só em 2015 acumula queda de 18%, matéria-prima vai receber a maior parte do total a ser investido

FERNANDA GUIMARÃES, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2015 | 02h05

Depois de Usiminas e Gerdau terem anunciado cortes nas previsões de investimento para este ano, ontem foi a vez da Companhia Siderúrgica Nacional se juntar às rivais. A CSN disse que planeja investir R$ 1,3 bilhão em 2015, queda de 41% em relação aos R$ 2,2 bilhões do ano passado.

De acordo com David Salama, diretor executivo de Relações com Investidores da companhia, a empresa revisou seus planos para priorizar investimentos de maior retorno. Em teleconferência com a analistas, o executivo afirmou que a companhia decidiu postergar projetos para se ajustar ao atual cenário econômico.

Apesar da queda no cotação do minério de ferro, a maior parte do total a ser investido, R$ 710 milhões, vai se destinar à commodity. Outros R$ 317 milhões vão para siderurgia e R$ 200 milhões para cimento. Segundo a companhia, o processo de redução de custos na divisão de mineração tem sido intensificado para que a empresa esteja preparada para o ciclo de preços mais baixos. "O nível de competitividade do minério de ferro da CSN é equiparável aos das três ou quatro maiores mineradoras do mundo", afirmou Daniel dos Santos, diretor de Mineração. Segundo ele, o minério produzido pela companhia seguirá competitivo mesmo se o preço cair abaixo de US$ 50 a tonelada. "Sobrevivemos juntos com os grandes, seremos os últimos a sair do mercado (em caso de contínua queda dos preços)", destacou. Hoje o preço do minério de ferro está em US$ 57,9 a tonelada no mercado chinês. No ano, a queda é de 18,7%.

Os investimentos em mineração ocorrem enquanto as reservas do minério da mina Casa de Pedra e Engenho foram elevadas de 1,63 bilhão de toneladas, em 2007, para 3,02 bilhões de toneladas no ano passado, após novo processo de certificação.

Balanço. No quarto trimestre, a CSN reverteu o prejuízo e apresentou um lucro líquido de R$ 67 milhões. O resultado foi melhor do que o projetado por analistas, que tinham uma expectativa de um prejuízo líquido de R$ 340 milhões, de acordo com a média das estimativas de instituições financeiras consultadas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. No ano, no entanto, a CSN registrou um prejuízo líquido de R$ 112,3 milhões, ante um lucro de R$ 533,99 milhões em 2013.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 1,01 bilhão no último trimestre de 2014, recuo de 42,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. No ano, chegou em R$ 4,729 bilhões, queda de 12% em relação a 2013.

A receita líquida, por sua vez, registrou R$ 3,82 bilhões no último trimestre, queda de 22,8% em relação ao mesmo período de 2014. No ano, somou R$ 16,126 bilhões, recuo de 7%.

Após os resultados, as ações ordinárias da companhia dispararam 7%, situando-se entre as maiores altas do Ibovespa. (Com informações da Reuters)

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