CSN é a maior siderúrgica das Américas

Empresa superou o grupo argentino Tenaris em valor de mercado

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) já é a maior empresa das Américas em valor de mercado no setor de siderurgia e metalurgia. Dentre as dez maiores empresas do setor na América Latina e América do Norte, segundo levantamento da consultoria Economática, três são brasileiras. A Gerdau é a terceira empresa em valor de mercado, enquanto a Usiminas ocupa o sétimo lugar. Fenômeno similar acontece em outros setores, como o de construção civil: das dez maiores empresas nas Américas, duas são brasileiras: Cyrela Realty (3ª) e MRV (9ª). E, levando-se em conta apenas a construção de imóveis, a Cyrela fica no primeiro lugar.

"O fato de as companhias brasileiras estarem se destacando em valor de mercado é um sinal de confiança no resultado das empresas nos próximos anos", diz o professor de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo), Ricardo Almeida. "Num ranking por valor de mercado você não mede as maiores empresas, mas sim as futuras maiores empresas."

O valor de mercado - que é o valor da ação de uma empresa na bolsa de valores multiplicado pelo número de ações existentes - é, portanto, como se fosse uma antecipação do resultado de uma empresa. "O lucro das empresas em 2015 está nessa conta", diz Almeida.

Para o professor do Insper, um dos aspectos que ajudam a melhorar a expectativa em relação às empresas brasileiras no setor siderúrgico está a vantagem competitiva do País em termos de minas de minério de ferro. "A CSN tem a mina da Casa de Pedra. Isso faz com que ela tenha uma perspectiva de resultado que independe da volatilidade dos preços."

Para o professor de economia da Escola de Administração de Empresas da FGV-SP, Ernesto Lozardo, a valorização das empresas nacionais no setor siderúrgico também está relacionada com o forte crescimento dos últimos anos, impulsionado pela forte demanda por aço e metais da China, Índia e demais países asiáticos. "As empresas deixaram para trás estruturas arcaicas de administração e produção, abriram capital e passaram a comprar empresas lá fora. Os empresários souberam, portanto, aproveitar as oportunidades de capitalização e de crescimento global", afirma Lozardo. "Hoje, esses grupos estão estruturados e capitalizados, preparados para a retomada da economia global."

De acordo com o levantamento da Economática, considerando a cotação das ações em 7 de setembro, a CSN vale US$ 20,5 bilhões. A argentina Tenaris, que até julho deste ano ocupava a primeira posição, vale US$ 17,7 bilhões. A Gerdau vem em seguida, com US$ 15,5 bilhões, e a Usiminas, em sétimo, com US$ 11,6 bilhões.

Na construção civil, a valorização das empresas brasileiras também reflete a atratividade do setor. "Não tivemos bolha imobiliária, nem em termos de demanda e nem no sentido de ruptura no sistema de financiamento, como ocorreu na Europa e nos EUA", afirma Lozardo. "E temos um cenário de juros baixos, inflação estável e um mercado enorme, com espaço para crescer. O futuro está assegurado pela carência de oferta, um déficit habitacional de 8 milhões de residências."

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