CSN é líder em valorização com alta de 157%

Ranking elaborado pela consultoria Economática para a Agência Estado lista as melhores opções do mercado

Marcos Coronato, Teresa Navarro e Natalia Gómez, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2008 | 00h00

O pequeno poupador brasileiro teve, nos últimos quatro anos, um período ótimo para as aplicações na Bolsa - mas péssimo para aprender a planejar seus investimentos. O motivo foi exatamente o desempenho excepcional do mercado acionário, que deu a falsa impressão de que investir nesse tipo de ativo é fácil, pouco arriscado e garante retorno no curto prazo.Para o investidor que pensa em aplicar em ações de maneira mais madura, com maior margem de segurança e mirando o longo prazo, há uma regra básica: não escolher papéis apenas com base na valorização, seja +num período passado, seja numa expectativa para o futuro. ''As projeções de que uma ação vai subir devem ser vistas sempre com suspeita. O investidor não deve comprar só porque acredita que o papel vai subir. Isso não é tudo'', afirma Fernando Exel, presidente da Economática, empresa de consultoria e pesquisa financeira. A pedido da Agência Estado, a Economática calcula anualmente o Ranking AE Empresas, que chega a sua oitava edição e classifica o desempenho de ações de acordo com sete critérios, como volatilidade e liquidez (veja o quadro abaixo). Foram avaliadas 161 empresas de capital aberto, com patrimônio líquido superior a R$ 10 milhões. O estudo indica os papéis que tenham não apenas se valorizado o máximo possível ao longo de um período, mas tenham conseguido isso de forma estável, que tenham pago mais dividendos e sido fáceis de vender a qualquer momento - tudo isso acompanhado por melhora real nos resultados da empresa. No Ranking em 2008 (que utiliza os dados fechados de 2007), a empresa com melhor desempenho nesses critérios é a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) - confira, na tabela ao lado, as 10 primeiras colocadas.Entre os ótimos resultados obtidos pela CSN e que a colocaram no topo do Ranking está aquele mais visível pelos investidores: a valorização de 157% dos papéis ON da empresa no ano passado. Mas diversos fatores contribuíram para essa colocação. ''Estamos colhendo os frutos dos investimentos que fizemos para ter uma operação integrada'', diz o presidente da empresa, Benjamin Steinbruch. ''Por competência e sorte, investimos em setores que estão muito aquecidos.''As ações da CSN encerraram o ano com relação entre o preço e o valor patrimonial por ação (P/VPA) de 5,4 vezes, indicativo de que os investidores têm uma elevada percepção de valor dos seus papéis. A empresa também se destacou pela variação do retorno sobre o patrimônio líquido (delta ROE), que subiu 24,2 pontos porcentuais. A importância de uma avaliação mais completa de cada papel cresceu desde o ano passado. Com a volatilidade das bolsas, acentuada desde meados do ano passado em razão do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, o investidor passou a buscar empresas mais sólidas, cujas ações oscilem menos e sejam facilmente negociadas. São as chamadas ações de valor ou velho estoque, que em muitos momentos podem até subir menos que o Ibovespa, mas proporcionam retorno garantido aos investidores.Esta edição do Ranking espelha a escolha dos investidores por solidez. Embora alguns indicadores utilizados para a classificação das empresas neutralizem o tamanho, das dez premiadas, seis estão entre as 27 maiores do Brasil em valor de mercado, segundo dados da Economática. ''Em momento de oscilação intensa, o investidor favorece ações com menos volatilidade e alta liquidez'', diz Exel. A ação mais líquida do Ranking foi a Petrobrás. A combinação desses dois fatores é fundamental para que o investidor não perca dinheiro, caso seja obrigado a vender as ações em certo momento, por alguma emergência. Papéis com alta volatilidade podem passar por períodos de baixa, mesmo apresentando valorização ao longo do tempo. Papéis com baixa liquidez são difíceis de transformar em dinheiro rapidamente ou tendem a se depreciar muito numa venda apressada. Por isso, voltaram à lista das dez primeiras colocadas os grandes bancos, com Bradesco e Itaú.Outro fator obrigatório, para quem pensa no longo prazo, é o pagamento de dividendos. Trata-se da remuneração oferecida aos acionistas, com base no lucro da empresa, periodicamente. A maioria das companhias brasileiras costuma fazê-la anualmente, enquanto os grandes bancos adotam distribuição mensal. O pagamento de dividendos robustos torna o papel mais atraente. Nesse quesito, a ação mais bem colocada foi a PN da AES Tietê.Além dos critérios de desempenho, duas exigências crescem em importância: boa governança corporativa e boas práticas de sustentabilidade. Os prêmios Destaque Novo Mercado e Destaque Sustentabilidade foram vencidos nesta edição por Positivo e Bradesco, respectivamente. Os prêmios foram entregues em São Paulo, na terça-feira, pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

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