CSN entra na disputa por usina italiana

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

CSN entra na disputa por usina italiana

Depois de perder aquisições nos EUA, Steinbruch seria um dos interessados em comprar a Ilva, uma das maiores siderúrgicas da Europa

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2014 | 02h03

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamim Steinbruch, está, mais uma vez, na disputa por uma empresa estrangeira. Agora, o alvo é a italiana Ilva, maior usina da Europa em capacidade de produção e de importância estratégica para o setor de aço do sul do continente, onde atende montadoras de veículos. Desde o ano passado, depois de ter sido acusada de não conter emissões tóxicas, a Ilva está sob administração judicial.

A ministra da Indústria da Itália, Federica Guida, disse, ontem, que ao menos cinco ofertas pela companhia estão sendo analisadas. Uma fonte próxima ao assunto disse à Reuters que a CSN é uma das interessadas. A negociação ocorre após uma série de derrotas de Steinbruch no mercado internacional.

Na semana passada, a CSN perdeu a disputa pela usina americana Gallatin, vendida para a Nucor. "Nos Estados Unidos, não há mais nada para processo de aquisição, o que tinha já foi", disse o empresário na ocasião. Segundo ele, a CSN poderá partir para o crescimento orgânico no mercado americano, com a construção de uma nova unidade.

Antes da Gallatin, a CSN já havia perdido, neste ano, a briga por duas usinas do grupo russo Severstal, que acabaram sendo compradas por Steel Dynamics, Severstal Columbus e AK Steel Corporation. Já entre 2012 e 2013, a companhia participou de um longo processo para ficar com a usina do Alabama, da ThyssenKrupp, que acabou nas mãos do consórcio formado pela ArcelorMittal e pela Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (NSSMC).

Rivais. Sindicatos trabalhistas já confirmaram que ArcelorMittal, maior grupo produtor de aço do mundo, e a indiana JSW Steel também estão na disputa pela companhia italiana.

Existem "ao menos outras quatro ofertas além da ArcelorMittal", disse Federica a repórteres, em Bruxelas, antes de um encontro com seus pares europeus. A oferta da ArcelorMittal "está num estágio mais avançado que as outras", acrescentou.

O Texas Pacific Group, um fundo de investimento privado dos Estados Unidos, também é candidato a comprar a siderúrgica, com sede na cidade de Taranto. O fundo não quis comentar a informação. Na lista de interessados está ainda a italiana Marcegaglia, uma processadora de aço que é cliente da Ilva. Segundo fontes, ela faria uma proposta se tivesse ao seu lado um parceiro internacional.

Eventuais ofertas, no entanto, podem ser prejudicadas pelo custo do plano que foi encomendado pelo governo italiano para reduzir os níveis de poluição no entorno da fábrica de Taranto. O custo dessa reestruturação é estimado em 3 bilhões.

A empresa está sob intervenção da Justiça e do governo italiano desde o ano passado, quando promotores alegaram que as emissões tóxicas da planta de Taranto tinham aumentando de forma impressionante a incidência de câncer e de doenças respiratórias na população da região. Vários ex-executivos foram presos. O grupo nega que suas operações tenham sido responsáveis por problemas de saúde.

História. A Ilva é uma empresa de capital fechado que pertence ao Riva Group, com sede em Milão. Fundado pelos irmãos Emilio e Adriano Riva em 1954, o conglomerado chegou a ser o terceiro maior da Europa. Emilio, que estava em prisão domiciliar desde julho de 2012 por causa do escândalo de poluição, morreu em abril deste ano aos 87 anos.

O Riva Group tem hoje 38 usinas de aço do mundo e emprega cerca de 25 mil pessoas. Segundo a assessoria de imprensa, o grupo fatura anualmente 10 bilhões. Uma fonte próxima à companhia afirmou, recentemente, à imprensa italiana que a fábrica Ilva, em Taranto, estava produzindo 20 mil toneladas de aço por dia, o equivalente a cerca de 7 milhões de toneladas por ano. Em 2013, a unidade colocou no mercado 6,3 milhões de toneladas de aço e no anterior, 8,3 milhões de toneladas. / Agências internacionais

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.