Yara Nardi/Reuters
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CSN diz a sindicato que vai demitir 3 mil funcionários

Segundo o sindicato, a empresa alega passar por uma crise econômica que exige a redução de custos; valor dos contratos com terceirizados deve ser reduzido em 35%

Fernanda Nunes e Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2015 | 17h35

A direção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamin Steinbruch, indicou ao Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense que vai demitir 3 mil funcionários e reduzirá em 35% o valor dos contratos com fornecedores, o que deve repercutir em demissões de terceirizados. Segundo o sindicato, a empresa alega passar por uma crise econômica que exige a redução de custos. Os cortes viriam de uma paralisação no alto-forno 2 da usina de Volta Redonda, que já vinha sendo cogitada.

O argumento da companhia é que o estoque está baixo e as vendas de aço no mercado interno caíram drasticamente. Além disso, a CSN informou aos sindicalistas que o mercado externo não compensa as perdas no mercado doméstico. Procurada, a CSN não comenta a informação.

"Diante disso, o sindicato não aceita, de maneira alguma, essas demissões arbitrárias. Esse é o nosso posicionamento. Tomaremos todas as medidas legais e políticas para que tal fato não aconteça. Mobilizaremos toda a cidade, conclamando as autoridades políticas e entidades civis", informou o sindicato em comunicado oficial.

O Broadcast apurou que o conselho de administração da CSN está reunido nesta tarde para discutir a medida. A companhia pode decidir entre ou desligar o forno ou fazer uma parada temporária para manutenção e depois reavaliar as condições de mercado, segundo fontes. A capacidade instalada de produção da CSN é de 5,6 milhões de toneladas por ano e o alto-forno 2 responde por 30% do total da unidade.

A CSN tem três altos-fornos, mas o mais antigo deles já havia sido desativado durante o processo de privatização da companhia nos anos 1990. Em Volta Redonda, funcionam atualmente o alto-forno 2 e o 3, que representa os 70% restantes da produção da fábrica. De acordo com uma fonte, os dois equipamentos não operam atualmente com 100% de sua capacidade, por isso não é possível afirmar que a parada do segundo forno redundará necessariamente no corte de 30% dos 10 mil funcionários diretos da usina. A companhia emprega outros dez mil funcionários terceirizados em Volta Redonda, contratados por empreiteiras.

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