CSN vende participação na Riversdale por US$ 832 milhões

Grupo brasileiro aceitou oferta da Rio Tinto, que já tinha alcançado uma fatia majoritária na [br]mineradora australiana

Chiara Quintão, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2011 | 00h00

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) vai receber US$ 832,6 milhões pela venda de sua participação de mais 19% na produtora de carvão australiana Riversdale para a mineradora anglo-australiana Rio Tinto. O grupo brasileiro anunciou ontem que decidiu aderir à oferta feita pela Rio Tinto - que, com isso, passa a deter mais de 70% da Riversdale.

A venda das ações marca uma mudança de posição da CSN. No fim de março, o diretor executivo da CSN, Paulo Penido, informou que a empresa manteria sua participação na Riversdale. "A empresa pretende ficar (na Riversdale). Reconhecemos que precisamos de um sócio-operador (das minas) de habilidade", disse o executivo à época, durante teleconferência com analistas.

Para analistas, a operação de compra e venda das ações da Riversdale acabou se revelando um bom investimento financeiro da CSN. "Quando a CSN começou a comprar participação na Riversdale, as ações da australiana estavam cotadas a 6,10 dólares australianos, e a venda foi feita pelo preço de 16,50 dólares australianos", diz um analista que pediu para que seu nome não fosse citado.

Na avaliação de outro analista, o ganho obtido com a venda da parcela detida na Riversdale possibilitará que a CSN tenha mais capacidade de pagar pelo carvão que compra. Assim como tem ocorrido com o minério de ferro, os aumentos dos preços do carvão vêm pressionando os custos e as margens das siderúrgicas. "Nada impede que a CSN faça algum outro investimento em carvão", acrescentou.

A participação na empresa australiana foi uma forma de hedge (proteção) encontrada pela CSN para se proteger das oscilações de carvão. Tratava-se de um hedge econômico, como destaca outro analista, que assegurava à CSN se beneficiar dos ganhos dos papéis da Riversdale quando tivesse de pagar mais caro pelo preço do carvão.

Na avaliação de outro profissional que acompanha o mercado, a CSN não teve alternativa. "A Rio Tinto ia comprar a participação de todos os outros acionistas e, se decidisse fechar o capital, não valeria a pena para a CSN ser minoritária de maneira hostil e não ter mais o hedge para o carvão." / COM REUTERS

Investimento

A CSN e a indiana Tata Steel vinham aumentando seus investimentos na Riversdale desde a primeira oferta de compra feita pela Rio Tinto, em dezembro do ano passado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.