Tasso Marcelo/ Estadão
Abertura de capital da CSN Mineração deve render mais de R$ 8 bilhões para a CSN. Tasso Marcelo/ Estadão

CSN venderá fatia de subsidiária para reduzir dívida de R$ 30 bilhões

Operação ocorreria neste mês, mas precisou ser adiada para o fim de janeiro de 2021; empresa terá como presidente Enéas Diniz, que comandava a área dentro da CSN

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2020 | 05h00

A abertura de capital da CSN Mineração é esperada para girar mais de R$ 8 bilhões, sendo que R$ 7 bilhões desse valor irá ao caixa da CSN, pela venda de uma fatia minoritária na unidade, dinheiro prometido para ajudar a reduzir o endividamento da siderúrgica. Ao final de setembro a dívida líquida superava os R$ 30 bilhões. A empresa terá como presidente Enéas Diniz, que comandava a área dentro da CSN, apurou o Estadão. A operação, que ocorreria neste mês, escorregou para o fim de janeiro de 2021, segundo fonte.

A subsidiária da CSN congrega as minas Namisa e a famosa mina de Casa de Pedra, produtora de um dos minérios de maior qualidade do quadrilátero ferrífero. Há um ano, ao comentar sobre o resultado da CSN, Steinbruch revelou: “Não concordo, mas comprei essa ideia do mercado de desalavancar”. O empresário lembrou que fez seu histórico como empresário de forma alavancada. Foi assim que levou a CSN anos atrás em seu leilão de privatização, em 1993. “Comecei devendo tudo”. Steinbruch também foi o nome por trás do consórcio que arrematou a Vale, em 1997.

Depois do IPO de mineração, a CSN tem nos planos abrir o capital de sua unidade de cimentos, disseram fontes. A companhia de Steinbruch possui quase 90% da CSN Mineração. Um consórcio asiático detém o restante. 

A visão do mercado tem sido positiva para os negócios da companhia, algo também relacionado à expectativa de crescimento da empresa. A agência de classificação de riscos Fitch, por exemplo, elevou recentemente o rating da empresa de B para B+, além de revisar a perspectiva, de estável para positiva. Disse, contudo, que a perspectiva é reflexo da expectativa de que a companhia continuará a desalavancar sua estrutura de capital ao longo dos próximos 12 a 18 meses.

Já analistas do Credit Suisse, após participarem de viagem organizada pela companhia para conhecer Casa de Pedra, disseram que a CSN sinalizou entender que a redução das dívidas vem antes dos projetos de crescimento programados, e que a venda de ativos para ajudar a diminuir a alavancagem será o foco em 2021, segundo relatório enviado ao mercado. A visita fez parte do esforço para o IPO do ativo. Fizeram a visita 15 fundos de São Paulo, cinco do Rio de Janeiro e alguns analistas de mercado.

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IPO de subsidiária obriga Benjamin Steinbruch, da CSN, a planejar sucessão

Em processo de abertura de capital da CSN Mineração, empresário abordou o tema com investidores e a filha mais velha, apontada como sua sucessora; ele comanda há 20 anos uma das maiores siderúrgicas do País, controlada pela família

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2020 | 05h00

A abertura de capital da subsidiária de mineração da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) obrigou Benjamin Steinbruch, presidente da empresa, a falar sobre sua sucessão. Aos 67 anos, o empresário comanda com pulso firme há quase duas décadas uma das maiores siderúrgicas do País, controlada pela família. O assunto surgiu à mesa em conversas com potenciais investidores, que tinham dúvidas sobre o planejamento sucessório, que pode interferir no futuro da CSN Mineração. A subsidiária está prestes a ser listada em uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), prevista para o início do ano que vem, que pode levantar R$ 8 bilhões. A transação faz parte da missão da CSN de reduzir seu endividamento, após anos de cobrança do mercado.

A sucessão, afirmam fontes próximas à companhia, é esperada para ocorrer em três anos, após Steinbruch completar 70. Sua filha mais velha, Victoria, hoje com 28 anos, é apontada como a próxima executiva a assumir o posto mais alto da CSN.

A passagem de bastão de pai para filha é vista internamente como natural, embora Steinbruch não pareça alguém que esteja perto de uma aposentadoria. Sempre lembrado como aquele que não foge de uma briga e como um “exímio negociador”, característica apontada como o principal motor de seu sucesso empresarial, Steinbruch participa ativamente das reuniões com investidores no processo de preparação para levar a CSN Mineração à Bolsa. Victoria também está sempre presente nos encontros e já mostrou, segundo fontes que participaram das conversas, que conhece o negócio.

Preparação

Apesar da pouca idade, Victoria está envolvida há muitos anos no dia a dia da empresa. O executivo já a levava, desde menina, para importantes reuniões. Desde conversas com bancos a encontros para tomada de decisão da empresa – hábito que, muitas vezes, deixou relutante os executivos presentes, afirmam fontes. Depois das reuniões, era comum o pai perguntar à filha os pontos mais importantes do encontro. Hoje, Victoria ocupa o cargo de assessora da presidência, ao lado de mais outros dois executivos, Pedro Oliva e Alberto Sena dos Santos. “Victoria sempre esteve ao lado Benjamin a vida toda, é muito competente. Conhece tudo da empresa”, diz uma fonte que está acompanhando o processo de abertura de capital da unidade, em condição de anonimato.

Steinbruch tem quatro filhos. Além da primogênita, outros dois também trabalham na CSN, Alessandra e Felipe – o último comanda o braço de inovação da empresa, a CSN Inova. O caçula, Mendel, é o único que ainda não atua na companhia controlada pela família.

‘Olho do dono’

Em um dos encontros que antecedem o roadshow (período de reunião com investidores) do IPO da subsidiária de mineração, Steinbruch disse que a meta para os cargos de presidente (CEO) e para o responsável pelas finanças da empresa (CFO) é ter sempre alguém com “olho de dono”, afirmam fontes. O estatuto social da CSN não prevê uma idade máxima para ocupar o cargo, algo que começa a ser mais utilizado pelas empresas de capital aberto, como forma de dar mais previsibilidade ao processo de sucessão.

De acordo com uma fonte próxima à companhia, Steinbruch falou de sua sucessão publicamente pela primeira vez há dois anos, em reunião com investidores em Nova York. E, já na época, já apontou Victoria como sua sucessora. Para fontes de mercado, pela idade de sua filha mais velha, Steinbruch poderia escolher um executivo para assumir a posição por um período de transição. No entanto, quem acompanha a empresa de perto não acredita que a sucessão se dará dessa forma.

Aprendizado

Em 2010, quando sua filha completou 18 anos, o empresário transcreveu em um artigo na imprensa trechos de um texto escrito por ela. “Por ter sempre me levado com ele, mesmo quando eu não entendia uma palavra, meu pai sempre me estimulou a pensar mais, a querer mais. Ele me deu a chave para um mundo que, apesar da minha idade, comecei a compreender. E agora, nessa nova fase, em que levo meu futuro em minhas próprias mãos, pretendo criar meus planos para a minha próxima etapa, aquela em que meu pai vai se orgulhar de ser pai de sua filha.”

Se de fato assumir o comando da CSN no lugar de seu pai, Victoria Steinbruch comandará uma das maiores empresas do País, com um faturamento anual na casa de R$ 25 bilhões, conforme os números fechados do ano passado, em um setor ainda predominantemente masculino. Procurada, a CSN não comentou sobre o assunto

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