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Cuidado ao escolher o plano de saúde

Recentemente, os consumidores foram surpreendidos com a intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na Unimed de São Paulo e a decretação extra judicial da Adress, no Rio de Janeiro, e a Unicor, também de São Paulo. A diretora de fiscalização da ANS, Maria Stella Gregori, acredita que os problemas são decorrentes da falta de regulamentação do mercado. A ANS começou a funcionar em abril. "Agora há uma nova realidade e aos poucos o mercado vai se estabilizar", diz. "Vão sobreviver as empresas sérias".Mas como saber se a empresa é séria? Stella sugere duas precauções. A primeira, verificar se a empresa é credenciada à ANS. O descredenciamento da rede sem substituição pode significar falta de pagamento aos fornecedores, um sinal evidente de crise financeira. Ao todo são 2.733 empresas credenciadas. Para verificar o credenciamento, basta ligar para o disque-saúde: 0800-611997 ou acessar o site da ANS:www.ans.saude.gov.br. A segunda, não escolher planos que acumulem queixas nos órgão de defesa do consumidor. Essas precauções não garantem a saúde financeira da empresa, mas são indicadores da confiabilidade do plano.Stella lembra que as empresas são obrigadas a entregar o seu balanço para agência, que, por sua vez, verifica as contas e toma as medidas necessárias: advertências, multas, inabilitação temporária, cassação de registro, intervenção e liquidação extra judicial. A agência promete também divulgar um ranking de planos de saúde para ajudar o consumidor. Mas por enquanto a idéia está em fase de estudo, sem prazo definido para implementação.Atenção às reclamações e à rede credenciadaJá os Procons de São Paulo e do Rio de Janeiro, órgãos de defesa do consumidor ligados aos governos estaduais, recomendam que o consumidor se informe sobre o tipo de reclamação e se a empresa resolve os problemas. No Procon-SP, basta ligar (11) 3824-0446. O consumidor é informado sobre o número e tipos de queixa e o atendimento dado pelas empresas. "Como o consumidor não tem acesso às informações financeiras da empresa, é sempre bom ligar para obter esses dados", orienta a assistente de direção do Procon-SP, Lúcia Helena Magalhães. No Procon-RJ, para obter as informações é preciso ir pessoalmente ao órgão na rua Buenos Aires, 309, das 9h às 17h. O Procon-RJ promete oferecer os dados por telefone em seis meses. Em São Paulo, tanto em 2000 como em 1999, as empresas de saúde foram vice-líderes no ranking em consultas e reclamações dos consumidores ao Procon-SP. Só perderam para o setor de telefonia. Em 1999, foram 11.645 consultas e 2.754 reclamações. Em 2000, aumentou o número de consultas para 12.767, mas diminuiu o número de reclamações. Tanto o Procon do Rio como o de São Paulo consideram fundamental checar a rede credenciada. A dica do Procon é pegar o livro que traz a rede credenciada com o vendedor do plano, ligar para os hospitais e confirmar se eles realmente prestam serviço para empresa escolhida. O coordenador do Procon - RJ, Átila Nunes Neto, sugere que, se possível, os consumidores tentem ver com os médicos dos planos se estão recebendo. "Podemos checar no ciclo de relacionamento se há médicos que trabalham nos planos e ver se estão recebendo", diz. Ele também lembra que, com a regulamentação do serviço, é impossível para as empresas operar planos cujas mensalidades são de R$ 10 a R$ 20 porque estão sendo obrigadas a prestar mais serviços. "Se a mensalidade for muito baixa, pode desconfiar porque é um dos sintomas de que a empresa não vai conseguir atender", diz Nunes Neto. Para saber se o preço está adequado, o Procon aconselha o consumidor a comparar o serviço oferecido com o valor da mensalidade. "É preciso lembrar que não dá para ter procedimento pra câncer, obstetrícia, internação de 365 dias por R$ 20", lembra Nunes Neto. Outra dica é comparar com o valor de outros planos. Consumidor não deve entrar em pânicoQuanto ao descredenciamento da rede, Lúcia Helena esclarece que uma empresa pode deixar de trabalhar com um hospital sem oferecer outro do mesmo porte. "Não é normal a substituição." Ela também lembra que se houver redução da rede credenciada, a operadora tem que justificar o motivo. Lúcia Helena, no entanto, ressalta que não há motivo para pânico. "As pessoas não têm de sair do seu plano até porque, se forem para outro, precisarão cumprir os seis meses de carência." Lúcia Helena diz que quando o consumidor é novo, ele geralmente troca de planos sem problemas. Mas, para os mais velhos, a mensalidade é mais cara e muitas vezes não há como esperar a carência. Por isso, segundo ela, mesmo que o plano estiver com problemas, o consumidor deve aguardar as medidas da ANS.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2001 | 09h09

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