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Cuidado com as promessas de alto retorno

Na hora de investir muitas pessoas tomam decisões baseadas em 'verdades' que escutaram ou leram de outras pessoas. Não há 'receitas fechadas' que deem conta de gerar riqueza sem risco e para todos.

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 05h00

Minha mãe faleceu e estou preocupado com a questão do inventário e com o beneficio que ela recebia do INSS. Quais as providências imediatas? 

Sua preocupação é válida porque, mesmo tendo que lidar com a dor da partida de uma pessoa querida, temos uma série de providências a serem tomadas em prazo relativamente curto. Em relação ao benefício não fique preocupado porque os cartórios, ao emitirem o atestado de óbito, são obrigados a comunicar o falecimento ao INSS. Pode ocorrer, por falha operacional, que o benefício continue a ser depositado, mas se esse dinheiro for recebido pela família após morte do beneficiário será um crime grave. O inventário é um procedimento legal de apuração de todos os bens, direitos e dívidas da pessoa falecida, com a consequente partilha entre os herdeiros. O prazo para a abertura do inventário é de 60 dias. Esse procedimento pode ser feito extrajudicialmente, em qualquer cartório de notas, por meio de escritura pública. Para isso, são necessários os seguintes requisitos: a) todos os herdeiros devem ser maiores e capazes; b) todos devem estar de acordo com a partilha; c) o falecido não pode ter deixado testamento; d) deve haver a presença de um advogado. Para que seja feita a escritura do inventário são necessários os documentos da pessoa falecida como RG, CPF, certidão de óbito, certidão de casamento, certidão negativa de inexistência de testamento, certidão negativa da Receita Federal e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e documentos do cônjuge, herdeiros e respectivos cônjuges. Além dos documentos pessoais é necessária toda a documentação dos bens móveis e imóveis deixados. Os custos pelos serviços cartoriais são tabelados por lei estadual e dependem do valor do patrimônio deixado pelo falecido. Os custos do inventário extrajudicial são menores do que os gastos ocorridos na via judicial.

Recebi um e-mail oferecendo ganhos extraordinários, acima de 300% em 12 meses, seguindo determinado método de investimentos. Isso é possível? 

Esse tipo de método não existe. Isso não é possível. Caso fosse verdadeiro, quem tivesse esse método não estaria vendendo, guardaria o segredo a sete chaves e realizaria todo o ganho possível. Essas pessoas ganham dinheiro vendendo mentiras. Para o leitor não pensar que estou fazendo um comentário solto, fui atrás de anúncios oferecendo métodos para acelerar ganhos. Gastei algumas horas lendo e ouvindo os vídeos anunciados, que diziam seguir as normas e investir com total segurança e prometiam ganhos extraordinários. Isso é um contrassenso. Outra característica é que se apresentam como experts em investimentos, mas a empresa é de conteúdo jornalístico e, ao mesmo tempo, oferece carteiras de investimento, o que é irregular. Há algum tempo escrevi um artigo para a Revista da Bolsa tratando desse assunto, dizia que investir e ficar rico é o sonho das pessoas, o problema é que muita gente acredita que isso seja possível do dia para a noite. O fato é que na hora de investir muitas pessoas tomam decisões baseadas em “verdades” que escutaram ou leram de outras pessoas. Aí reside o problema, a frase é de outro, mas o dinheiro é nosso! Não há “receitas fechadas” que deem conta de gerar riqueza sem risco e para todos. Podemos aqui lembrar do velho ditado americano: Não há almoço grátis. Até poderíamos cunhar outra máxima: “Aquele que realmente sabe ganhar dinheiro ao outro não contará”. A única receita verdadeira é que investir exige muito planejamento, disciplina e conhecimento.

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