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Cuidado com clonagem do cartão de débito

Os cartões de débito, que permitem o pagamento de contas e o saque em caixas eletrônicos com desconto em conta corrente, tornaram-se um dos alvos preferidos das quadrilhas especializadas em fraudes financeiras.As operadoras estão reagindo com a instalação de sistemas mais eficientes e seguros para as transações. Somente a Visa, deve investir US$ 100 milhões nos próximos quatro anos para trocar o sistema de tarjas magnéticas por microchips nos cartões.Segundo o delegado da 4.ª delegacia da Divecar, Manoel Camassa, os estelionatários atualmente encontram facilidade para a fraude com os cartões de débito. "Existe pouco controle sobre a tecnologia que permite fazer cartões magnéticos. Não é difícil conseguir o equipamento para a clonagem."Com uma máquina que grava as informações contidas na tarja e o material plástico especial, os bandidos conseguem fazer cópias perfeitas dos cartões. "Não há números exatos sobre este tipo de crime no Brasil, mas ele tem crescido no mesmo ritmo do aumento de unidades sendo usadas." Atualmente, são quase 70 milhões de cartões de débito circulando pelo país.SenhaAlém de fazer a cópia, os golpistas precisam da senha do correntista. "As pessoas precisam ter muito cuidado porque só com o código indicado pelo banco as transações são completadas ", explica Gastão Mattos, vice-presidente de marketing da Visa do Brasil. Normalmente o falsário vê o cliente digitando nas máquinas para depois tentar o golpe. A polícia já detectou até o uso de câmeras colocadas perto de terminais e descobriu que, em alguns casos, funcionários do comércio se aproveitavam da desatenção do comprador para copiar o cartão e memorizar a senha.Para dificultar a vida dos estelionatários, o Unibanco decidiu adotar um código alfabético, além da senha normal. A vantagem é que o sistema permite a variação de dados. O cliente deve digitar os números relativos às letras de seu código. Como a máquina muda essa relação a cada operação, fica impossível descobrir a senha.Outro tipo de golpe que inclui a apropriação das senhas é feito através da internet. Há cerca de dois meses a polícia prendeu um falsário que, com o código e os dados cadastrais dos correntistas, fez transações através dos sites dos bancos.Segurança reforçadaPara revidar a ofensiva dos criminosos, as operadoras têm feito sistemas cada vez mais seguros. Os dados dos clientes e os códigos são criptografados enquanto as transações são realizadas. Além disso, não há a interferência humana durante esse processo e os bancos podem verificar todos os passos da operação. "As informações são passadas em tempo real à instituição bancária. Isso ajuda a ver a hora e o local em que a pessoa usou o cartão", explica Paulo Frossard, diretor de débitos da Mastercard.O grande investimento do momento, porém, não está no fluxo de dados, mas no próprio cartão. Para combater a criação de clones, as operadoras começam a aposentar as velhas tarjas magnéticas. A Visa já tem chips nos cartões que estão circulando de forma experimental. Até o fim do ano, a tecnologia deixará Campinas, onde está sendo testada, para ser usada em todo o País.A Mastercard também entrou na onda do chip. Já estão sendo produzidos para o Banco do Brasil os novos cartões e outros bancos devem logo aderir à novidade. "Uma das vantagens da tecnologia é a dificuldade dos dados serem copiados", garante Frossard, da Mastercard. Essa pode ser a arma mais eficiente contra a clonagem.

Agencia Estado,

08 de outubro de 2001 | 12h13

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