Cuidado com o golpe do carro zero

O golpe já é um velho conhecido da polícia e é praticado por quadrilhas especializadas em todo o País. A tática é simples: publica-se um anúncio vendendo um carro zero, normalmente por um preço bem inferior ao do mercado. O contato é feito por meio de celular e a troca de documentos via fax. Concluída a negociação, a pessoa deposita o dinheiro em uma conta corrente. Está dado o golpe. O consumidor nunca mais verá o dinheiro e muito menos o carro.Para se ter uma idéia de como o golpe é convincente, o delegado Manuel Camassa, do Departamento de Investigações sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), explica que, como os clientes quase sempre querem ver o carro antes de fechar o negócio, os bandidos indicam uma concessionária. Depois, ligam para lá e se identificam como vendedores do interior, pedem que o carro seja mostrado e depositam na conta da empresa um cheque sem fundos.Nesse meio tempo, o carro é entregue ao consumidor, que é claro, nem imagina que foi lesado. Como o cheque do pagamento não tem fundos, a concessionária retoma o bem. O golpe já pegou mais de 80 pessoas, geralmente profissionais liberais de classe média. Segundo o delegado, os detalhes da operação impressionam. Detalhes dão maior "credibilidade" ao golpe Para dar maior veracidade, os papéis enviados para o comprador via fax, sempre apresentam o logotipo de uma montadora. Além disso, os golpistas exigem um depósito para cobrir os gastos administrativos. Para isso, fornecem o número real da conta da montadora onde o dinheiro é depositado. "Muitas companhias recebem depósitos de R$ 40 e R$ 60 por conta do golpe", explica o delegado Camassa.Os bandidos passam inclusive uma lista de opcionais do veículo escolhido, exigem uma ficha cadastral e esperam alguns dias para dar a resposta, como se estivessem analisando os dados. Para justificar o preço muito abaixo do mercado, os golpistas alegam que o carro foi retirado da fábrica por um funcionário da própria montadora.

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