Cuidado com os consórcios

O Procon-SP registrou, neste ano, de janeiro a junho, 157 reclamações contra empresas de consórcio, sendo que 97 envolviam a compra de um automóvel. A falta de informação é um dos maiores problemas. O Procon de São Paulo é enfático: mesmo com os juros altos, os leasings e financiamentos ainda são as opções mais atrativas para quem pretende comprar um bem a prazo. Para o técnico de assuntos financeiros do Procon-SP, José Roberto Amaral, os repetidos problemas com consórcios afastaram o consumidor desta modalidade. "Ainda é uma alternativa, mas as pessoas preferem acreditar nos bancos, que têm tradição de serem instituições sólidas e de credibilidade", diz. Setor diz que ainda tem muito fôlegoA Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (Abac) contesta o Procon. Os números, garante a Abac, provam que as administradoras ainda têm força para enfrentar os financiamentos e leasings. Segundo a gerente do departamento jurídico, Elaine Gomes, as vendas de cotas vêm crescendo e registraram uma evolução de 24,1% nos cinco primeiros meses do ano, quando foram vendidos 127 mil consórcios.Para Elaine, o principal responsável pelo crescimento do sistema foram os reforços da legislação e aumento na fiscalização das empresas. Segundo ela, os consórcios voltaram a atrair consumidores das classes C e D. Só no ano passado foram mais de 500 mil novos consorciados neste setor.Consórcio não é única alternativa para compra de bens. As vendas estão sempre impulsionadas pelas possibilidades de lance, transferência do contrato, antecipação de cotas e por uma taxa de juros mais suave do que a do mercado. Amaral avalia que o surgimento de outras modalidades é culpa também das empresas que não souberam administrar o dinheiro dos consorciados.Já Elaine acredita que, se há descrédito, a causa é uma grande confusão feita pelos consumidores. "Muitas pessoas confundem consórcio com cooperativa e venda programada e estas modalidades não precisam de autorização do Banco Central para realizar seus negócios", explica.Como o consumidor pode se defenderAs duas instituições concordam num ponto: existem milhares de maneiras do consumidor saber se a empresa é idônea ou não. O Procon pode oferecer uma lista das companhias denunciadas ou que receberam reclamações. Já a Abac tem controle das administradoras cadastradas e autorizadas para atuar no setor. Além deles, o Banco Central possui um telefone gratuito para que o consumidor tire dúvidas sobre a situação financeiras das contratadas. Mesmo assim, se a pessoa cair nos casos clássicos de propaganda enganosa, cotas premiadas ou atraso na entrega do bem, a solução é procurar ajuda da Justiça.Veja no link abaixo algumas orientações sobre o consórcio e avalie quando ele pode ser considerado um bom negócio.

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