Cuidados para não cair na lavagem de dinheiro

Com toda a repercussão sobre o rastreamento global de contas e movimentação financeira do milionário saudita, principal suspeito de coordenar os ataques terroristas aos EUA, Osama bin Laden, as pessoas comuns devem tomar os devidos cuidados para não serem incluídas, por descuido, num esquema de lavagem de dinheiro, geralmente, vinculado ao terrorismo, sequestro, tráfico de drogas e armas ou outros.O chefe do departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros (Decif) do Banco Central, Ricardo Liao, chama a atenção dos clientes de bancos para evitar serem usados no esquema de lavagem de dinheiro. Uma pessoa descuidada, que passa cheques sem o cuidado de nomear o destinatário, por exemplo, pode ser surpreendida com a utilização do cheque num esquema desses.O cheque emitido para o pagamento de uma prestação numa determinada loja pode de repente parar numa conta de uma empresa de factoring, usada para lavagem de dinheiro ou até mesmo numa conta de não residentes - as chamadas CC5 - que podem estar sendo usadas para tirar recursos do País."Um cheque não nominal pode parar em qualquer lugar ou empresa", alerta Liao. Numa investigação, o cliente desavisado vai ser, no mínimo, incomodado para esclarecer por que um cheque seu foi parar numa conta com a qual ele não tinha nenhuma vinculação.Outros recursos usados no esquema de lavagem de dinheiro são as contas inativas e cartões de crédito. Uma conta corrente num banco não pode, simplesmente, ser abandonada pelo cliente. Ele precisa ter em mãos uma declaração formal de encerramento da conta. Caso contrário, essa conta poderá ser usada para a movimentação de recursos de origem ilícita.Para evitar que o cartão de crédito seja clonado, Liao aconselha os clientes a acompanharem a operação de débito. Outra fonte que pode ser usada indevidamente num esquema de lavagem de dinheiro são empresas de turismo com autorização para operar em câmbio. Muitas vezes essa autorização é suspensa pelo BC depois de comprovada a compra de dólares sem o conhecimento do suposto cliente.Outro cuidado especial que as pessoas devem ter é com documentos roubados ou perdidos. Com um documento desses na mão o esquema faz o que quer, diz Liao. Por isso é preciso que a pessoa tome todas as providências, como anunciar a perda ou roubo em jornal de circulação nacional e fazer a devida notificação à polícia.Desde que a lei que trata da lavagem de dinheiro foi promulgada, em 1998, o Banco Central encaminhou ao Ministério Público 20 notificações de crimes praticados no âmbito do sistema financeiro. Os recursos objeto de lavagem de dinheiro têm origem no terrorismo, seqüestro, tráfico de drogas e armas e outros.O primeiro passo para detectar o esquema é na instituição financeira detentora da conta do cliente que, de repente, começa a movimentar recursos acima da sua capacidade financeira. No esquema de lavagem de dinheiro geralmente a pessoa física envolvida se utiliza de um "laranja". Quando o esquema parte de uma pessoa jurídica geralmente é utilizada uma empresa de fachada para movimentar recursos em diversas contas.BC não detecta ligação com o BrasilO Banco Central já pediu às instituições financeiras que operam no País cuidado especial no rastreamento de contas e movimentação bancária do milionário saudita Osama bin Laden, seus seguidores e empresas a ele vinculadas. Até o momento, no entanto, o BC não tem notícia de que Bin Laden ou pessoas ligadas a ele tenham contas bancárias no Brasil. Se algum indício for detectado, o primeiro procedimento, segundo Liao, será o bloqueio da conta pela instituição financeira, conforme determina decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Agencia Estado,

25 de setembro de 2001 | 10h26

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