Cúpula Brasil-UE discute investimentos

Dilma participa hoje de encontro em Bruxelas; empresários brasileiros pedem que governo faça acordo com o bloco

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2014 | 02h04

BRUXELAS - A presidente Dilma Rousseff participa hoje, em Bruxelas, na Bélgica, da reunião de cúpula União Europeia-Brasil. A delegação do governo brasileiro aterrissou na capital ontem, vinda de Roma, e à noite se encontrou com empresários brasileiros, que pressionam pela aceleração de um acordo de livre comércio com o bloco econômico. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) espera que Mercosul e União Europeia (UE) possam firmar o entendimento, que vem sendo negociado há 10 anos, em até 60 dias.

Na chegada, nem a presidente nem o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, quiseram falar aos jornalistas. No final da tarde, a presidente deixou o hotel para se encontrar com o primeiro-ministro da Bélgica, o socialista Elio Di Rupo, e à noite jantou com 110 empresários brasileiros convidados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), órgão que acompanha de perto as negociações para um acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Hoje, a presidente terá reuniões com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. A perspectiva é de que seja assinado em Bruxelas um "plano de ação" para aumento de investimentos mútuos e competitividade.

Mas todas as atenções dos empresários estão voltadas para questões comerciais. A CNI deseja que o governo brasileiro pressione a UE a reduzir barreiras não tarifárias - como exigências sanitárias que impedem o ingresso de produtos brasileiros na Europa. A grande expectativa gira em torno do acordo de livre comércio. A confederação acredita que o entendimento precisa ser assinado antes das eleições europeias de 2014, a serem realizadas entre 22 e 25 de maio, quando 751 deputados do parlamento serão eleitos.

Balança. A principal preocupação dos empresários é com o resultado da balança comercial entre o Brasil e a Europa, que virou deficitária em 2012. Naquele ano, as exportações da UE em direção ao Brasil foram de € 39,7 bilhões, contra € 37,4 bilhões em importações - um déficit na balança brasileira de € 2,3 bilhões. Nos nove primeiros meses de 2013, de acordo com o Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat), o buraco aumentou: enquanto as exportações chegavam a € 30,4 bilhões, as importações feitas do Brasil caíram para € 24,9 bilhões - um déficit de € 5,5 bilhões.

"Perdemos espaço nas exportações dos nossos produtos, em função de não termos alguns acordos entre o Mercosul e a União Europeia que favoreçam as exportações", disse Robson Andrade, presidente da CNI.

Para empresários brasileiros, a prioridade imediata deve ser a retirada de barreiras não tarifárias que prejudicam as exportações. Eles esperam que o acordo de livre comércio seja firmado o mais rápido possível. "Há uma consciência maior de que é preciso estar mais integrado", diz Mario Marconini, diretor de Negociações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "A presidente indicou uma disposição clara de avançar nesses acordos internacionais", disse Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Para o empresariado, a contestação feita pela UE ao Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre os benefícios fiscais concedidos à indústria, e que distorceriam a competição, não deve prejudicar as negociações. Os europeus questionam os incentivos a setores como indústria automotiva e tecnologia, colocando em questão inclusive as regras que beneficiam a Zona Franca de Manaus. Segundo o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, a contestação "não estraga a relação". "Temos de tratar com profissionalismo", justificou.

Os países do Mercosul devem revisar ao longo dos próximos 10 dias suas listas para apresentar aos europeus uma oferta única. É a partir dessas ofertas mútuas que a negociação evoluirá ou não.

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