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Cúpula começa sem expectativa de ser decisiva

Fazer com que bancos aceitem prejuízo maior do que o previsto, alavancar o Feef e recapitalizar os bancos não será tarefa fácil

STEPHEN CASTLE, JACK EWING, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2011 | 03h04

As autoridades europeias trataram ontem de encontrar uma maneira de convencer os bancos a aceitar um prejuízo muito maior em cima dos títulos gregos. Ao mesmo tempo, as conversações sobre a crise da dívida não chegaram a um resultado, o que levou ao cancelamento da reunião ministerial prevista para antes do encontro de cúpula dos líderes europeus, marcado para hoje.

A menos de 24 horas da reunião de cúpula dos chefes de governo em Bruxelas, representantes de bancos e autoridades europeias ainda estavam num impasse sobre o montante de prejuízos que os bancos assumiriam.

Os bancos adotaram uma posição radical e advertiram que a baixa contábil das dívidas que está sendo proposta - de até 60% - pode resultar num calote ou choque similar para o sistema financeiro, algo que as autoridades europeias estão desesperadas para evitar. Essa situação levou à busca de medidas complementares que poderiam ajudar a melhorar o acordo para os bancos.

A Itália, porém, está cada vez mais na mira, já que os investidores têm dúvidas quanto ao compromisso do governo de reduzir a dívida pública de 1,9 trilhão. Os líderes da União Europeia desejam que o premiê italiano, Silvio Berlusconi, apresente um plano sólido sobre o crescimento e a redução da dívida do país em tempo para a reunião de cúpula.

Ontem, as agências de notícias italianas informaram que Berlusconi fechou um acordo com a Liga do Norte, principal parceira da sua coalizão. Pela manhã, o líder da Liga, Umberto Bossi, declarou que o governo de Berlusconi poderia cair por causa da ideia de elevar a idade de aposentadoria de 65 para 67 anos, medida à qual ele se opõe.

Com as horas passando, um importante político alemão, Jorg Asmussen, vice-ministro de Finanças, e seu contraparte francês Ramon Fernandez, discutiram com representantes dos bancos em Bruxelas. Com base num dos cinco planos em debate, os títulos gregos poderiam ser trocados por um valor de face bem menor emitido pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), segundo informaram as duas autoridades, acrescentando que a ideia pode tornar a baixa contábil mais atraente para os bancos.

O Instituto de Finanças Internacionais, que representa os bancos envolvidos, pretende enviar hoje a sua proposta aos líderes europeus, segundo fonte envolvida nas negociações. Nesse caso, os bancos assumiriam prejuízos acima dos 21% acordados em julho, em troca de medidas que os ajudariam a atenuar parte das perdas adicionais, como por exemplo uma permissão de adquirirem títulos do Feef.

Tensão. Aumentando o clima de ansiedade, a reunião dos ministros de Finanças da UE, marcada para antes da cúpula, foi cancelada ontem pelo governo polonês, que detém a presidência rotativa do bloco. Embora tenha sido uma admissão de que o acordo com os bancos não estaria pronto, não significava que seria impossível no fim do dia, quando os líderes se reuniriam. A cúpula será realizada e "o trabalho com vistas a um amplo pacote de medidas para frear a crise da dívida soberana" continuará, informa o comunicado polonês.

Essas medidas incluem uma recapitalização dos bancos - que pode chegar a 100 bilhões - e uma expansão do Feef, dos 440 bilhões atuais provavelmente para 1 trilhão, o que se fará por meio de dois métodos que provavelmente serão utilizados ao mesmo tempo.

O Feef deverá oferecer um seguro contra parte dos prejuízos na compra de títulos. Um mecanismo separado será criado para a compra de títulos, atraindo recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outros investidores de países emergentes. Embora a França não acolha a ideia de trazer outras potências, como a China, para o centro da zona de euro, o país deve deixar de lado as reservas diante da gravidade da situação.

A alavancagem do Feef terá de passar pela aprovação ainda hoje do Parlamento da Alemanha, e não apenas pelo comitê orçamentário, como inicialmente previsto. / COM DER SPIEGEL

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