Cúpula da UE debaterá propostas ambiciosas

Autoridades se reúnem amanhã para discutir medidas que podem exigir mudanças no tratado europeu e até nas constituições para serem adotadas

LONDRES, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h06

Os países da zona do euro deveriam transferir a supervisão de seus bancos para um supervisor europeu - possivelmente o Banco Central Europeu (BCE) -, ter seu próprio ministro de Finanças, submeter os orçamentos dos países-membros a um controlador central e, em última instância, compartilhar suas dívidas.

Estas seriam as principais propostas incluídas em relatório de sete páginas que começa a ser debatido amanhã em uma cúpula de dois dias em Bruxelas.

O documento - elaborado pelos presidentes do Conselho Europeu, do BCE, da Comissão Europeia e do Eurogrupo - apresenta ideias para o funcionamento futuro da união monetária em um esforço para combater a crise da dívida que tem convulsionado o bloco.

As propostas são ambiciosas, mas vagas. Por exemplo, não define claramente quais instituições devem assumir as novas competências no âmbito europeu. Mas os formuladores do relatório propõem que ele deve ser concluído até dezembro, com a apresentação de uma versão preliminar em outubro.

Se a UE, ou pelo menos os líderes da zona do euro, aceitarem os princípios básicos do documento na cúpula desta semana, isso poderia desencadear uma longa - e provavelmente difícil - revisão da união monetária, que não só exigirá mudanças no tratado europeu, mas também nas constituições nacionais, e referendos em alguns países. Isso ainda poderá criar uma divisão maior entre os 17 países da UE que usam o euro e os 10 que não utilizam a moeda única.

As duas partes centrais do relatório são a união bancária e a fiscal que os líderes vêm discutindo nas últimas semanas, depois de enormes perdas que levaram a Espanha a pedir um socorro de até 100 bilhões para recapitalizar seus bancos em dificuldades.

Contrária a qualquer compartilhamento de dívida ou responsabilidades bancárias, a chanceler alemã, Angela Merkel, teve atribuída a ela ontem declaração feita no encontro de um dos partidos de sua coalizão de que a Europa não teria compartilhamento total da responsabilidade da dívida "enquanto eu viver".

Em Paris, autoridades das Alemanha, França, Itália e França deveriam se reunir na noite de ontem para tentar reduzir as diferenças sobre o futuro do bloco após Chipre ter se tornando o quinto membro a pedir resgate.

Sob pressão. Os mercados financeiros estão nervosos e a pressão internacional para uma ação decisiva cresce, mas a cúpula, a 20.ª desde que os problemas de dívida do bloco começaram no início de 2010, não deve resultar em uma solução duradoura para a crise. "Amanhã (hoje), haverá uma reunião, que será muito importante, entre (o presidente francês) François Hollande e (a chanceler alemã) Angela Merkel, e esta noite (ontem) receberei os ministros de Finanças junto com o comissário europeu", disse o ministro da Economia francês, Pierre Moscovici.

Por sua vez, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, disse que uma solução na cúpula é necessária para interromper a crise da dívida soberana, acrescentando que ele está pronto para ficar em Bruxelas até domingo para tentar fechar um acordo. "Um acordo entre a Alemanha e a França é necessário, mas não suficiente", afirmou Monti em um discurso no Parlamento, destacando que a Itália está desempenhando um papel central na tentativa de alcançar soluções concretas para combater a crise, ao centrar foco no estímulo ao crescimento e estabilização dos mercados. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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