Cúpula da UE se esvazia antes de começar

Negociações entre França e Alemanha não progrediram e já se fala em nova reunião para definir conduta contra a crise na 4ª-feira

FRANKFURT, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2011 | 03h04

As negociações entre França e Alemanha para buscar uma solução abrangente para a crise da dívida da zona do euro não progrediram o suficiente para que os líderes europeus tomem alguma decisão mais importante sobre o assunto na reunião de cúpula de domingo, em Bruxelas, declarou ontem um porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel.

"Houve progresso significativo nas últimas semanas, mas não o suficiente para proporcionar decisões no domingo", disse Steffen Seibert, porta-voz de Merkel, num encontro com jornalistas organizado às pressas. Seibert leu o breve comunicado e recusou-se a responder a perguntas dos repórteres.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e Merkel disseram que estão estudando um plano abrangente para solucionar a crise, mas essa proposta só deve ser aprovada em uma segunda reunião marcada para quarta-feira.

Em um comunicado conjunto, Sarkozy e Merkel afirmam que o plano, que inclui medidas para reforçar os bancos europeus e um fundo de resgate mais poderoso, será revisado pelos líderes europeus no domingo. O objetivo é "alcançar um acordo definitivo entre os chefes de Estado e governo durante uma segunda reunião, na quarta-feira, no máximo".

O texto sugere que os líderes europeus ainda precisam resolver algumas questões para atingir um consenso sobre como conter a crise da dívida da Grécia e alavancar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef).

Rumores. O jornal alemão Die Welt chegou a noticiar que o governo da Alemanha poderia adiar a reunião por causa de discordâncias sobre o Feef. Segundo a publicação, fontes próximas à coalizão de governo da Alemanha afirmaram que um adiamento do encontro não poderia ser descartado. Os legisladores alemães teriam sido informados sobre as novas diretrizes para a Feef, após a ampliação da linha, aprovada recentemente pelos Parlamentos dos 17 países da zona do euro. Mas essas diretrizes não especificavam como o fundo de resgate seria alavancado.

Agora, de acordo com o Die Welt, tanto os políticos da base governista como da oposição estão querendo que o Parlamento analise novamente a Feef antes da cúpula da UE.

As notícias desencontradas sobre se a cúpula de domingo estava mantida ou não e se uma solução para a crise seria alcançada levou as bolsas da Europa a fecharem no menor nível das últimas duas semanas. O índice das principais ações europeias o FTSEurofirst 300 encerrou em queda de 1,35%. A Bolsa de Londres caiu 1,21%; Frankfurt, 2,49%; e Paris perdeu 2,32%.

O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, disse que existem sérias dúvidas sobre se alguma decisão será tomada na reunião de domingo. "Existem sérias dúvidas sobre se alcançaremos consenso no domingo. Consideramos que essas decisões são necessárias e essenciais. Já alertamos contra novos atrasos", afirmou Papandreou durante reunião ministerial.

No início da semana, o ministro de Finanças grego, Evangelos Venizelos, já havia afirmado que os gregos não deveriam criar expectativas com o encontro de domingo, quando os líderes europeus se reunirão em Bruxelas para discutir uma solução para a crise na zona do euro. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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