Cúpula de emergentes se torna palco de pressões por reformas

Países latino-americanos exigem a reformulação do sistema financeiro e mudanças em instituições como o FMI

Redação,

31 de outubro de 2008 | 09h23

A 18ª Cúpula Ibero-americana, que se realiza essa semana em El Salvador, transformou-se em palco para as pressões dos países emergentes, que exigem uma reformulação do sistema financeiro mundial e possíveis reformas em instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Ambas organizações foram estabelecidas após a Segunda Guerra, na conferência de Bretton Woods, e especialistas do mundo todo questionam atualmente se essa estrutura de praticamente meio século de idade ainda pode atender às necessidades da realidade moderna.   Veja também: Crise financeira é sistêmica e ninguém escapará, diz Mantega Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise      Diante de presidentes e chefes de estado da América Latina, de Portugal e da Espanha, o presidente do Equador, Rafael Correa, pregou na última quinta-feira a união entre os países da região e o fim da estrutura política-financeira que beneficia as nações desenvolvidos. "Os que se beneficiam são os países do primeiro mundo, comprando bens mais baratos, pagando salários mais baratos", sublinhou o mandatário equatoriano. Ele afirmou ainda que as nações latino-americanas devem coordenar suas políticas monetárias para evitar a depreciação de suas moedas diante da crise financeira mundial.   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também engrossou o coro. "Todos somos vítimas do comportamento irresponsável daqueles que especularam com a esperança", disse Lula na sessão plenária. "Não podemos permitir que esta crise econômica, fabricada por especuladores que transformaram a economia e o sistema financeiro em um cassino, venha a proibir que um Estado faça os investimentos que tem de fazer", acrescentou.   Para Correa, a coordenação monetária poderia ter vários níveis e, inclusive, se poderia pensar em uma moeda regional. "E por que não? Se a Europa pode fazê-lo, por que nós não podemos?", disse ele. O presidente afirmou ainda que uma coordenação monetária enviaria uma mensagem de calma aos mercados financeiros.   Apoio de peso   O primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, também criticou a falta de regulamentação do sistema financeiro durante as reuniões da Cúpula. "O sistema financeiro internacional deve ser um instrumento útil a serviço da economia real, e não a serviço da especulação ..., da avareza e da ausência de responsabilidade social com o conjunto dos países", afirmou Zapatero, que deve assumir a presidência da União Européia em 2010. Atualmente, ela é presidida pelo francês Nicolas Sarkozy.   "O mito da desregulamentação tornou possível essa perversão. Tornou possível que, em lugar de ser útil à economia produtiva, o sistema financeiro tenha se transformado em uma perturbação muito séria da economia", acrescentou o primeiro-ministro, que pleiteia um lugar para a Espanha na reunião de novembro do G20 (grupo de países industrializados e emergentes), convocada por Washington para discutir a crise.   Crise já afeta a região   Apesar de a América Latina estar em melhores condições para enfrentar a crise do que em outras épocas, com economias mais estáveis com mais dinheiro, após um ciclo de alta das matérias-primas, a turbulência baixou o ritmo de crescimento da região.   Bancos centrais da região têm perdido reservas para defender suas moedas e tomaram medidas para garantir a liquidez dos mercados, em uma região onde ainda estão frescas as memórias de sucessivas crises econômicas nas décadas de 1980 e 1990, que culminaram por diversas vezes em recessão.   (com BBC e Reuters)

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