Cúpula de Estocolmo respalda fim de barreira a produto agrícola

O comunicado final daCúpula Progressista de Estocolmo, assinado por 11 chefes degoverno e divulgado hoje na capital sueca, respalda duasreivindicações apresentadas pelo Brasil e outros países emdesenvolvimento: a derrubada das barreiras protecionistas aosprodutos agrícolas e a introdução de mecanismos de controle dosfluxos financeiros.O comunicado, chamado Uma Agenda Progressista para aDemocracia e o Desenvolvimento, diz que as negociações naOrganização Mundial do Comércio "devem agora atender àsprioridades dos países em desenvolvimento, respondendo aquestões sobre a melhoria do acesso ao mercado, o comércio naagricultura e a implementação de acordos anteriores".Os chefes de governo dizem que seus funcionários farão"consultas com acadêmicos e outros especialistas e continuarãoa estudar como promover uma arquitetura financeira internacionalque propicie um comportamento mais racional do mercado e aestabilidade financeira".Economia e justiça social - Os governantes da Suécia,Brasil, Canadá, Chile, França, Alemanha, Nova Zelândia, Polônia,Portugal, África do Sul e Grã-Bretanha reafirmaram seucompromisso com "a disciplina econômica e a competência comocondição para a justiça social". E declaram: "Rejeitamos odogma do livre mercado, mas, em nome da criação de mais emelhores empregos, buscaremos reformas para abrir os mercados,investir no conhecimento e promover a inclusão social, por meiode políticas mais ativas para o mercado de trabalho." Aeducação é considerada a maior prioridade, "independentementedas dificuldades econômicas e das exigências conflitantes".A governança progressista, corrente de chefes de Estadoe de governo social-democratas em busca de uma "terceira via",foi lançada em setembro de 1998 num debate na Universidade deNova York, com a participação do então presidente americano,Bill Clinton, do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e doentão primeiro-ministro italiano, Romano Prodi.Blair, com sua dramática experiência de reformulador dotrabalhismo inglês, emergiu como articulador natural domovimento. Em artigo publicado logo depois da conferência emNova York, Blair escreveu que "uma falsa oposição foiestabelecida entre uma economia de livre iniciativa e o ataque àpobreza e à exclusão", acrescentando que a abordagem daterceira via não era nem a do laissez-faire (o liberalismo semregras) nem da interferência estatal.O então presidente Bill Clinton, cujo Partido Democratarompeu em 1992 uma hegemonia republicana de 12 anos assimilandoe reciclando idéias da direita americana, também foi importanteporta-voz do movimento. O ex-comunista Massimo d´Alema, sucessordo tecnocrata Romano Prodi, juntou-se ao grupo. Em novembro de1998, em artigo D´Alema afirmou que "é fundamental que osprocessos de integração promovam a liberalização e, ao mesmotempo, a regulamentação do comércio e do capital". Nessavinculação entre liberdade e regulação pareceu estar uma daschaves do meio-termo entre o liberalismo e o intervencionismo.A vitória da centro-esquerda em eleições na Alemanha ena França deu impulso ao movimento. O presidente FernandoHenrique Cardoso passou a participar do movimento a partir doencontro em em Florença, novembro de 1999, e a adaptar osconceitos da governança progressista à realidade brasileira.Na época, estava no auge no Brasil o embate entre acorrente "desenvolvimentista", para a qual era precisotraduzir a estabilidade econômica em crescimento e melhoria dascondições sociais e da infra-estrutura do País, e a"monetarista", para a qual não se devia abrir mão do rigorfiscal e das demais ortodoxias macroeconômicas em nome daprosperidade e da justiça social, que viria naturalmente, comodecorrência da estabilidade, da racionalização e doaperfeiçoamento das regras.Seis governantes participaram do encontro em Florença.No ano seguinte, em Berlim, já eram 14 chefes de Estado e degoverno, que firmaram um comunicado, professando a conciliaçãoentre "responsabilidade social", de um lado, "e políticasmacroeconômicas e fiscais pertinentes". A próxima reunião seráem 2003, em Londres, em data ainda não definida.

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