André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Cúpula do Congresso teme que investidas de Renan 'contaminem' votação da reforma da Previdência

Temor é de que o PMDB, maior bancada do Senado, desmobilize parlamentares

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2017 | 19h16

BRASÍLIA - Preocupados com uma possível "contaminação" na discussão da Reforma da Previdência, integrantes da cúpula do Senado se reuniram com o líder do PMDB do Senado, Renan Calheiros (AL), para tentar "segurar" as investidas do peemedebista contra a proposta.

O encontro ocorreu na noite desta quarta-feira, 29, na residência do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e contou com a participação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do presidente do PSDB, senador Aécio Neves, do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) e dos senadores José Serra (PSDB-SP) e Jorge Viana (PT-AC).

Segundo relatos, Rodrigo Maia se mostrou preocupado com os sinais vindos da bancada do PMDB do Senado contra a Reforma da Previdência. No jantar, o entendimento da maioria foi o de que o PMDB, maior bancada do Senado, ao colocar dificuldades aos avanços da proposta, mesmo antes de ela chegar na Casa, poderá desmobilizar os deputados da base.

O projeto tramita, atualmente, em Comissão Especial da Câmara, e encontra fortes resistências por parte dos aliados. "Se o PMDB (partido do presidente Michel Temer) se coloca contra, como segurar os demais", disse um parlamentar que esteve no encontro. Apesar de as discussões da proposta da Reforma da Previdência ainda estarem no âmbito da Câmara, Renan tem dado declarações de que o projeto aprovado "será o possível".

Segundo aliados do peemedebista, Renan tem tido um discurso de "oposição" porque os avanços da reforma defendida pelo governo tem fortes resistências nos municípios de Alagoas e coloca em risco uma possível reeleição do senador. Horas antes de participar das conversas na residência oficial do Senado, Renan também fez uma segunda ofensiva ao articular a publicação de uma nota por parte da bancada, em que o PMDB se coloca contra a sanção do projeto de terceirização aprovado pela Câmara.

A iniciativa teve a chancela da maioria dos presentes na reunião. Assim como a Reforma da Previdência, o projeto da terceirização é uma das apostas do governo. Procurado pela reportagem, o senador ressaltou que falta diálogo por parte do Palácio do Planalto. "Tem que conversar mais com o PMDB. A bancada quer participar desse debate", ressaltou.

Para parte da bancada do PMDB do Senado, há o entendimento de que Temer deixou de fora das discussões do projeto de terceirização os senadores do próprio partido quando incentivou a aprovação de um texto por parte dos deputados. Na reunião da bancada de ontem, quando foi definida a publicação da nota contra a sanção do projeto, o líder do governo Romero Jucá até tentou alegar que a proposta chegou a ser discutida pelos senadores, ao que Renan teria dito: "Mas Jucá, esse projeto é de 1998, quantos que estão aqui hoje estavam naquela época?"

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