HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Cúpula do Mercosul, marcada para julho, é cancelada

Resistência paraguaia em passar a presidência temporária do bloco para a Venezuela e a interinidade do governo brasileiro são razões para que o encontro não ocorra

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2016 | 08h08

BUENOS AIRES - A Cúpula do Mercosul que reuniria presidentes do bloco no dia 12 de julho em Montevidéu não ocorrerá, afirmou em entrevista coletiva o chanceler uruguaio Rodolfo Nin Novoa na última segunda-feira. A resistência paraguaia em passar a presidência temporária do bloco para a Venezuela, envolvida em uma crise econômica e institucional, bem como a interinidade do governo brasileiro, são razões para que o encontro não ocorra como previsto, segundo um integrante da chancelaria uruguaia ouvido pelo Estado

Indícios de que a cúpula não se realizaria na data marcada já haviam sido dados pela chanceler argentina, Susana Malcorra, em entrevista na sexta-feira no Ministério de Relações Exteriores. Ela afirmou então que não seria surpresa um adiamento ou mesmo o “salto” de uma cúpula, pois isso já havia ocorrido em outras ocasiões. Novoa também disse “que não é a primeira vez que isso ocorre”. Susana acrescentou na entrevista que mesmo que a presidência do bloco fosse passada para Caracas, como determina o sistema de rodízio a cada seis meses, seria o Uruguai que seguiria negociando o tratado de livre-comércio com a União Europeia.

O embaixador paraguaio Bernardino Hugo Saguier Caballero, representante na Associação Latino-americana de Integração (Aladi), afirmou ao jornal ABC Color que o Paraguai vetou a passagem da presidência aos venezuelanos. Segundo um funcionário da chancelaria argentina, deverá haver um encontro de chanceleres para substituir a reunião de presidentes. A diplomacia uruguaia ainda insiste para que haja a transferência de poder para Caracas, mas está em posição minoritária. 

Brasil. Ontem, o secretário de Comércio Internacional do Brasil, Daniel Godinho, disse em Washington que o cancelamento da reunião de presidentes do Mercosul, que estava marcada para o próximo mês, não afetará as negociações comerciais em que o bloco está envolvido, entre as quais com Canadá e Índia. 

Segundo ele, o Mercosul não impede que o Brasil negocie acordos que não envolvam mudanças na Tarifa Externa Comum, como tratados de investimentos, compra governamentais e serviços. “Existe amplo espaço para acordos que tragam outros benefícios além dos tarifários”, observou. / CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE EM WASHINGTON

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