Cúpula regional do aço alerta para concorrência chinesa

Evento, realizado em Buenos Aires, reuniu empresários do setor e economistas [br]latino-americanos

Ariel Palacios CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

O Instituto Latino-Americano do Ferro e Aço (Ilafa) reuniu ontem na capital argentina empresários do setor que debateram sobre a economia global após a crise, a competitividade da indústria do setor, a recuperação do consumo mundial, além dos desafios da indústria siderúrgica latino-americana diante do crescente protagonismo da China como produtora e consumidora.

Segundo Paolo Rocca, presidente da multinacional argentina Techint e vice-presidente da World Steel Association, "o centro de gravidade do mundo move-se para o leste e para os países emergentes". Segundo o empresário, "os países industrializados vão para um estancamento de longo prazo".

Rocca alertou para o fato de que a América Latina está crescendo como mercado para "as exportações indiretas de aço da China em vez de competir para satisfazer a demanda interna e a dos países em crescimento".

Benjamin Steinbruch, presidente da CSN e vice-presidente da Fiesp, um dos conferencistas do evento, afirmou em sua exposição que prevê problemas para as economias dos Estados Unidos e dos países da União Europeia. Segundo o empresário brasileiro, tanto a UE como os EUA terão "um declínio acentuado", com a consequência da "queda na demanda global".

Steinbruch considera que o Brasil "tem potencial de crescimento" e "por mais que já tenha sido feito muito em infraestrutura, ainda falta muito o que fazer". O empresário sustenta que o mercado consumidor tende a crescer, já que nos últimos anos "trouxemos para dentro 50 milhões de pessoas que estavam fora da cidadania e ainda faltam outros 60 milhões de pessoas. Na China existem 600 milhões de pessoas que ainda faltam trazer para dentro da economia".

Sobre o país asiático, alertou para "as compras que a China está realizando na África e na América Latina. E, atrás de empresas chinesas está o Estado chinês".

O empresário também defendeu a aplicação de medidas da Receita Federal para evitar a entrada de aço subfaturado no mercado brasileiro. Steinbruch argumentou que o Brasil "não pode entregar de bandeja o mercado para quem usa práticas ilegais".

Pouco otimista. Um dos convidados especiais do evento, o professor de Economia da Stern School of Business, da Universidade de Nova York, Nouriel Roubini, exibiu um panorama pouco otimista para a economia mundial. Segundo ele, as economias dos EUA, da UE e do Japão terão um crescimento em "U", isto, é, com uma pausa antes da retomada. "Nos casos de alguns países europeus a recuperação será dura, caso não seja impossível."

No entanto, Roubini disse que a China, Índia e vários países da América Latina - entre eles o Brasil - estão tendo uma recuperação em "V", isto é, com uma imediata retomada do crescimento. Mas, sobre a Argentina, Roubini fez ressalvas: "O país é pouco amigável com os investidores, não atrai o capital. E terá de ajustar sua política fiscal".

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