Curadoria de acessórios e joias

Design & Inovação

Aiana Freitas, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Quando era criança, Luiza Setúbal tinha por hábito acompanhar a mãe em feiras de antiguidades. A experiência lhe conferiu um olhar apurado para arte e design, hoje empregado em sua loja multimarcas de acessórios, a Lool. Da escolha dos produtos até a decoração da loja, tudo passa pela curadoria da empresária.

O conceito de non-stop store era moda nos Estados Unidos e na Europa quando Luiza decidiu trazê-lo para o Brasil, em 2009. Ela inaugurou a primeira loja em versão itinerante dentro de um trailer na Rua da Consolação, nos Jardins, em São Paulo. Hoje, tem também uma unidade fixa no Shopping Iguatemi, na zona sul da capital paulista.

"A cliente quer comprar o lifestyle da marca - quer um pouco do cheiro, da decoração, do design. Ela compra um pedaço do universo em que o produto está inserido", acredita Luiza. Neta do fundador do Banco Itaú, Olavo Setubal, ela decidiu abrir seu negócio próprio depois de atuar em agências de publicidade.

O lifestyle se reflete de maneira clara na decoração das lojas. Na unidade itinerante, os acessórios eram pendurados nos galhos de uma árvore. Na loja do Shopping Iguatemi, quinze mil pinos de madeira enfeitam as paredes, alguns servindo como cabides, e o teto é marcado pelo desenho de uma alameda de árvores de cabeça para baixo.

Nos dois casos, em vez de encomendar a decoração a um arquiteto, Luiza optou pelo cenógrafo José Marton. "O trabalho da arquitetura de varejo é interpretar a essência do cliente e da marca. A pergunta que sempre fazemos é: o que levaria o cliente a desviar o olhar para nossa loja?", explica Marton, que também já criou projetos para lojas como Cori, Lacoste e Luigi Bertolli. "Levamos para a loja fixa da Lool o conceito da non-stop store: as paredes têm movimento e os pinos permitem flexibilidade na exposição dos objetos. O estilo da loja reflete a irreverência da marca."

A própria Luiza garimpa colares, brincos, bolsas e sapatos, entre outros produtos, vendidos nas lojas. Os fornecedores são 53 designers, oito deles estrangeiros, que, em 90% dos casos, desenvolvem peças exclusivas para a Lool. Em muitos casos, a empresária encomenda produtos. Busca nomes em projetos como a Casa dos Criadores, grupo de jovens designers e estilistas que promove desfiles para divulgar peças. Na lista de parceiros da Lool estão as designers Glorinha Paranaguá, Daniela Cutait, Yolanda Figueiredo e Ara Vartanian e o estilista Alexandre Herchcovitch. A loja também trabalha com peças de marca própria, que hoje representam cerca de 18% do portfólio à venda. Os preços dos produtos variam de R$ 100 e R$ 6 mil.

O próximo passo de Luiza será abrir novas unidades itinerantes, uma delas no Rio de Janeiro, e mais uma unidade fixa no Shopping JK, que será aberto no ano que vem em São Paulo. Ela também quer levar a marca própria da Lool para fora do País. "Nossas peças já começaram a chamar a atenção de lojas multimarcas em Nova York, Los Angeles e Londres", conta. A marca deve começar a ser comercializada no atacado em novembro de 2011.

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