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Currículo começa a perder espaço para o ''''perfil pessoal''''

Boa integração entre profissionais eleva produtividade de equipe em 18%

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

Alessandra Eng não gosta de falar em público. Prefere entrevistas individuais - coisa que seu colega Sérgio Paes faz a contragosto, apesar de ser um bom orador. Ambos trabalham juntos como consultores no The Gallup Institute, e dizem que justamente por terem características diferentes a parceria funciona bem.Desde 1998, o Gallup se dedica à área de desenvolvimento organizacional. Em uma pesquisa feita com 80 mil empresas do mundo todo, verificou que as pessoas indicadas como os melhores gestores eram aquelas que montavam suas equipes e reconheciam seus funcionários de acordo com os talentos mais fortes de cada um."Em vez de tentar suprir algo que a pessoa não faz, eles a colocam para atuar na área em que ela é melhor - e, em geral, trabalha com mais prazer", diz Paes, consultor do Gallup. "E, na hora de montar equipe, em vez de pegar pessoas iguais, escolhem aquelas que têm talentos que se completam." Na pesquisa, identificaram que até 80% dos executivos que pedem demissão alegam diferenças com o gestor de sua área - e não salários ou stress.Segundo o Gallup, equipes que trabalham em sintonia têm até 50% menos trocas de pessoal, e chegam a produzir 18% mais que grupos onde a integração não é boa. A empresa chegou a desenvolver uma ferramenta de pesquisa, utilizada internacionalmente, chamada StrenghtsFinder, que por meio de perguntas lista as características pessoais mais marcantes do executivo (como empatia, liderança e organização, entre outras). Dentre as empresas que usam a ferramenta, estão a Monsanto e a Dana. "Não existe uma lista de qualidades perfeitas para um bom gestor", diz Alessandra. "Mas se uma pessoa conhece seus pontos fortes e os de seus colegas, a chance de sucesso é enorme."A rede Atlantica Hotels, com 60 hotéis na América do Sul, é uma das empresas que trocou a avaliação de currículos tradicionais para uma avaliação mais personalizada de seus funcionários. "Ainda há alguns itens tradicionais, como a formação universitária, que são básicos. Mas nos interessa muito saber se a pessoa é introspectiva, tem pensamento estratégico, gosta de rotinas ou de atividades variadas", diz a diretora de RH da empresa, Dináurea Cheffins. A avaliação personalizada começou há um ano. "A mudança no ambiente de trabalho se refletiu diretamente nos nossos números", diz. "O índice de satisfação dos funcionários no ano passado alcançou 4,19 em um máximo de 5. isso é muito importante, porque em hotelaria a maioria do pessoal lida diretamente com os clientes e acaba passando esse clima."A MELHOR PESSOAO diretor da consultoria Arquitetura Humana, Elmano Nigri, diz que está crescendo o número de empresas que investem na identificação do perfil pessoal. "Em geral, atendemos com esse serviço empresas que já passaram por alguns estágios de investimento em RH e viram como era caro errar na escolha de uma pessoa."Dentre os trabalhos de seleção de pessoal que a Arquitetura Humana auxiliou, 80% apresentavam problemas no alto escalão. "Quando você coloca as pessoas com o perfil certo para comandar, o resto da empresa vai bem." Segundo ele, um curso ou um treinamento especial pode sempre ser comprado. "Conhecimento se compra, tecnologia se compra. Mas DNA é único, e se bem aproveitado pode fazer toda a diferença."

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