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Currículos de tecnologia precisam ser atualizados

Empresas do setor têm de treinar seus trabalhadores em áreas como análise de dados e segurança

Renato Cruz, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2015 | 03h00

Existem vagas em aberto para tecnologia da informação no Brasil. Mesmo com a contração da economia como um todo, o setor ainda prevê crescimento para este ano. As empresas têm dificuldade de encontrar funcionários com o conhecimento necessário para preencher vagas, principalmente em áreas como computação em nuvem, análise de dados, mídias sociais e segurança.

“A gente não tem sentido muito reflexo da crise”, afirmou Sergio Sgobbi, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). “As projeções apontavam crescimento de 6% do mercado para 2015. Provavelmente deve dar uma arrefecida e ficar entre 5% e 6%.”

Segundo Sgobbi, existe uma defasagem tecnológica entre o que é ensinado, principalmente nas faculdades, e a necessidade das empresas do setor. “Isso inibe o ingresso do recém-formados no mercado, a não ser que a área de recursos humanos da empresa tenha estrutura para treinar o funcionário por um período de seis meses a um ano.”

Em relação aos cursos técnicos, o problema é menor. “O ensino técnico está mais próximo das necessidades das empresas, pois tem maior flexibilidade curricular, duração menor, senso de praticidade e ênfase na execução. Para funções de entrada, é o mais indicado. Logicamente, à medida que o profissional avança na carreira, o conhecimento técnico tem de ser incrementado com conhecimentos de gestão, análise e aprofundamentos técnicos característicos de cursos de nível superior.”

Vagas. As empresas de tecnologia da informação empregam 414 mil pessoas no País. Esse número não inclui os especialistas da área contratados por companhias de outros setores. Apesar das vagas em aberto, o Brasil forma mais profissionais do que o setor absorve. No ano passado, foram contratadas 19 mil pessoas, e as faculdades formaram 38,5 mil profissionais, segundo levantamento da Brasscom, que não tem dados sobre o ensino técnico.

Além da defasagem tecnológica dos cursos, o diretor da Brasscom aponta a desconexão geográfica como um dos motivos da diferença entre formados e contratados.

Em alguns Estados, como Santa Catarina, o número de contratados é maior que o de formados. Em Estados como Rio de Janeiro e São Paulo, existe um certo equilíbrio entre oferta e demanda. Mas outros, como o Ceará, formam mais profissionais do que o mercado absorve.

Um indicador preocupante do setor de tecnologia da informação é a diferença entre jovens interessados em ingressar na área e aqueles que conseguem concluir seu curso superior. No ano passado, 688 mil pessoas se inscreveram em vestibulares de cursos relacionados a carreiras de tecnologia. Desse total, 130 mil ingressaram nos cursos e somente 38 mil se formaram. A taxa de concluintes por inscritos, de somente 6%, tem caído.

“Ainda não temos um estudo sobre os motivos, mas uma possibilidade é que os conhecimentos de matemática adquiridos nos ensino fundamental e médio é ruim, e os alunos desistentes não conseguem acompanhar o curso”, afirmou Sgobbi.

Oportunidade. Para reduzir a distância entre formação e necessidade, a IBM tem fechado parcerias com universidades, para influenciar mudanças nos currículos. “Mesmo assim, temos 15% das vagas em aberto”, disse Luciana Camargo, diretora de Recursos Humanos da IBM Brasil. As parcerias incluem treinamento de professores e projetos de pesquisa em conjunto.

Além de saber sobre tecnologias novas, o profissional mais buscado pela IBM precisa ter fluência em inglês e conhecimento de alguma indústria, como saúde ou bancos. “A tecnologia tem evoluído muito rapidamente”, disse Luciana.

No atual programa de trainees da empresa, um profissional de vendas passa por um treinamento de 6 a 10 meses. Esse treinamento inclui atividades em que os jovens aprendem com a experiência. “Eles participam de visitas a clientes e têm mentores”, afirmou a diretora da IBM.

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