Curto prazo requer continuidade do aperto monetário

Os dados do IBGE reforçam a percepção de que o mercado de trabalho segue apertado, ainda impondo riscos à inflação futura. O desemprego atingiu nova mínima histórica de 5,8% em maio em termos dessazonalizados, enquanto os ganhos de renda e massa salarial voltaram a acelerar na comparação com o mês anterior. Considerando a perspectiva de novos reajustes salariais nos próximos meses, quando acontece a negociação de importantes categorias profissionais, o cenário ainda é propício a um expressivo crescimento do consumo no País.

Silvio Campos Neto, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

A despeito de alguma moderação no ritmo de contratações na margem, como apontam os dados do Caged, a geração de empregos formais se mantém vigorosa - 252 mil em maio -, o que tem permitido a continuidade da expansão da ocupação, que em maio acelerou para 2,5% em termos anuais.

Ou seja, o contínuo aumento do número de ocupados, embora seja uma boa notícia, traz dificuldades para alguns setores encontrarem mão de obra, colocando novas pressões sobre os salários.

Haja vista o setor de serviços, que criou cerca de 500 mil vagas líquidas em 2011 até maio, praticamente a metade do resultado total do período. O rendimento real médio de alguns segmentos, como serviços domésticos e outros serviços, tem tido forte alta nos últimos meses (5,8% e 5,2% respectivamente, no acumulado de 2011). Não por acaso, os preços de serviços são os vilões da inflação atual, acumulando alta de 8,5% nos últimos 12 meses, dificultando a tarefa de convergência da inflação à meta.

Na indústria, mesmo em meio a um cenário de baixo dinamismo da produção, os salários também têm mostrado força. Ainda de acordo com os dados do IBGE, o rendimento real médio dos trabalhadores do setor cresceu 7,7% no acumulado do ano, bem acima da média total da economia (3,7%). Ou seja, são sinais de um ritmo de ganhos salariais acima do aumento da produtividade dos fatores, o que naturalmente corrobora o cenário de sustentação de riscos inflacionários mencionado.

O equacionamento desta questão não deve ficar restrito às tentativas simplistas, via medidas intervencionistas localizadas e pouco abrangentes. Pelo contrário, não há milagre. No curto prazo, requer-se a continuidade das ações de aperto monetário e fiscal para segurar o ritmo da demanda e, consequentemente, o ímpeto dos reajustes salariais.

E mais importante, com vistas ao médio e longo prazo, urge o retorno de uma agenda de reformas estruturais e o foco na melhora educacional, que permitirão ganhos de eficiência e produtividade.

É ECONOMISTA DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA INTEGRADA

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