Custo com juros maiores pode subir a R$ 1 bi por ano

O rebaixamento da nota de crédito da Petrobrás pela Moody's vai afetar diretamente o custo de novas dívidas que a empresa precisa fazer para rolar R$ 50 bilhões que vencem até 2016

JOSETTE GOULART, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2015 | 02h02

O rebaixamento da nota de crédito da Petrobrás pela agência de classificação de risco Moody's vai afetar diretamente o custo de novas dívidas que a empresa precisa fazer para rolar R$ 50 bilhões que vencem até 2016, segundo relatório do banco UBS. Os analistas dizem que a empresa vai gastar R$ 1 bilhão a mais por ano em juros para poder financiar sua capacidade de caixa pois a estimativa é de que pague até 2 pontos porcentuais a mais em juros caso faça novas dívidas.

Diante das dificuldades em publicar um balanço auditado e as implicações da Operação lava Jato, a expectativa da Petrobrás é a de que neste ano não tenha que recorrer ao mercado para se refinanciar. A empresa começou o ano com um caixa de US$ 25 bilhões. No entanto, essa estratégia a fará começar o próximo ano com um caixa apertado, de no máximo US$ 12 bilhões, o que significa que em 2016 não tem como continuar suas atividades ou investimentos sem recorrer ao mercado bancário ou de capitais.

Apesar do caixa apertado para 2016, os analistas do banco JP Morgan entendem que não há risco de um calote da companhia no curto prazo porque acreditam que pelo menos os bancos públicos brasileiros continuam com capacidade para emprestar à Petrobrás. Segundo o UBS, o Banco do Brasil é hoje quem tem maior exposição à petrolífera, mas não chega nem a 3% do total da carteira de crédito do banco, considerando os dados que são divulgados em balanço.

Uma das opções da empresa é lançar ações, fazendo um aumento de capital. Na medida em que o custo da dívida da empresa vai subindo, esta vai se tornando uma opção mais atrativa em termos de custos. Mas os analistas dizem que mesmo com o rebaixamento do rating, que a colocou abaixo da linha de "grau de investimento", e por consequência com maior custo de se emitir dívida, é ainda mais barato emitir bônus do que usar o capital de sócios.

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