finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Custo da energia ameaça indústria

Contratos de fornecimento de eletricidade para 2015 estão com preços altos e podem prejudicar a recuperação do setor industrial

André Magnabosco, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2014 | 05h00

A elevação dos preços da energia em contratos no curto prazo, reflexo da escassez de chuvas no País, preocupa os grandes consumidores e pode dificultar a recuperação da produção industrial brasileira em 2015.Grandes indústrias se deparam com reajustes de mais de 100% no preço da energia e já fazem contas para definir como adequar as operações ao custo mais elevado previsto para 2015.

Contratos de abastecimento de energia para o próximo ano estão sendo negociados no mercado livre ao redor dos R$ 400 o megawatt/hora (MWh), mais de três vezes o valor de contratos assinados antes da publicação em 2012 da MP 579 - medida provisória do desconto da conta de luz, que estabeleceu novas condições para o processo de renovação de concessões no setor de geração de energia.

Para contratos de médio prazo, os valores propostos são menores, podendo chegar a R$ 250/MWh, mas representam mais de duas vezes os preços negociados no início da década.

“Vemos que há uma escassez de energia que afeta a negociação de contratos a vencer no segundo semestre de 2014 e durante o ano de 2015”, alerta o presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria.

Negociação. Empresas de menor porte costumam ser atendidas pelas distribuidoras de energia. Já os grandes consumidores negociam diretamente com as geradoras no mercado livre ou com as comercializadoras de energia, em acordo bilaterais.

Diante da dificuldade encontrada, uma grande consumidora realizará nas próximas semanas uma chamada pública para contratação de energia em 2015. “O objetivo é mostrar que os interessados não estão conseguindo tornar viável a contratação de energia”, destaca uma pessoa familiarizada com o assunto, que falou com a reportagem do Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, sob a condição de não ser identificada.

Como o momento é mais favorável aos geradores do que aos consumidores, os preços dos contratos estão em elevação. “A questão é saber quais empresas conseguirão rodar com um custo de energia a R$ 400/MWh”, destacou o executivo de uma grande consumidora de energia, que também pediu para não ser identificado. “Para quem estiver descontratado, o ano de 2015 será um caos.”

Governo. Questionado sobre o assunto, o Ministério de Minas e Energia (MME) não comentou a situação dos preços para 2015. Em nota, o ministério afirmou que não cabe a ele “interferir nas relações comerciais no Ambiente de Contratação Livre (ACL)”, onde os consumidores livres contratam energia. Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) destacou que a situação atual “decorre da escassez de chuvas e da baixa capacidade de armazenamento e de regularização dos reservatórios das hidrelétricas”. O licenciamento ambiental para projetos de usinas com reservatórios enfrentou nos últimos anos uma série de questionamentos do ponto de vista ambiental.

A dificuldade de mercado afeta os consumidores de formas diferentes. Empresas que possuem 100% da demanda energética contratada para 2015 não precisam negociar com as geradoras agora. Ainda assim, o momento é de alerta em relação à necessidade de contratos a partir de 2016. Entre as demais empresas que precisam de fornecimento para o próximo ano, a situação se agrava.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Flávio Antônio Neiva, o mercado reage ao nível de valores. O preço de liquidação das diferenças (PLD), referência para a negociação de energia no mercado à vista, está em R$ 715,19/MWh, mas ficou no patamar máximo de R$ 822,83 durante grande parte do primeiro semestre, por causa da escassez de chuvas e da necessidade de acionamento das térmicas cujo custo de operação é mais elevado.

“O que vemos para 2015 não é um problema de abastecimento de energia, mas de contrato. Os geradores obtêm hoje mais receita com a energia descontratada (atrelada ao PLD) do que com os contratos”, diz. “Já tivemos contratos a menos de R$ 100/MWh no passado, e agora vemos a energia no patamar de R$ 700/MWh”, complementa Neiva, lembrando períodos em que os preços eram mais favoráveis aos consumidores.

Caso não haja acordo entre gerador e consumidor, empresas podem ter de reduzir a produção. “Há indústrias hoje que vendem energia em vez de vender produto. E indústrias fechando por falta de pagamento de energia”, disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, durante seminário em São Paulo.

Tudo o que sabemos sobre:
energiaindustri

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.