Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Custo da energia provocará perda de R$ 214 bi na economia, entre 2006 e 2014

O custo da energia elétrica, que aumentou mais de 100% nos últimos seis anos, considerando tarifa e transporte, deve encarecer ainda mais, e já cria um segundo custo Brasil para investimentos produtivos no País. Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) estima que esta elevação deve provocar perda de R$ 214 bilhões na economia, entre 2006 e 2014, o que equivale a 8,6 pontos porcentuais a menos no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no período. A multinacional brasileira Gerdau, que tem 37 empresas espalhadas pelo mundo, é um exemplo de como a eletricidade encareceu mais no Brasil do que em outros países. Em 2003, a siderúrgica listava, entre suas dez usinas com custo mais barato de eletricidade, oito brasileiras. No extremo oposto, entre as dez mais caras, não havia nenhuma sediada no País. Este ano, a relação é inversa: apenas duas das dez mais baratas, e seis entre as dez mais caras, são no Brasil."De uma maneira geral, a energia em todo o mundo está subindo. Mas no Brasil está subindo muito mais do que nos outros países. Isso reduz o entusiasmo das empresas de se instalarem no País. Um eventual racionamento aumenta a preocupação. Ou seja, um fator no qual o Brasil teria condições de ser um dos mais competitivos do mundo, que é a facilidade no fornecimento de energia elétrica, está ficando comprometido", comenta Erico Sommer, diretor de Energia e Meio Ambiente do grupo siderúrgico.Especialistas apontam como muito provável o risco de racionamento a partir do ano que vem. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, indica que, com baixa taxa de investimentos e problemas no setor elétrico, a economia brasileira não pode crescer com segurança a taxas acima de 4%. A partir deste patamar, por causa da maior demanda industrial por energia, o risco de crise no setor é grande."Estamos limitados no crescimento porque não temos capacidade de geração de energia", avalia o professor do Instituto de Economia da UFRJ, Adilson de Oliveira. O estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que o preço da eletricidade e as dificuldades na geração de capacidade adicional de energia, estão comprometendo toda a economia. Para o cálculo, foram cruzados dados como a evolução de preços da energia, desempenho industrial e crescimento econômico, tudo baseado em preços de 2005."Energia cara tem impacto grande no bem-estar das famílias, no comércio e na microempresa", afirma o economista do Ipea, Ronaldo Seroa da Mota, que acredita que as grandes indústrias ainda têm espaço para encontrar contratos mais favoráveis junto a produtores independentes. Ele não crê em risco iminente de racionamento, mas ressalta que o preço a pagar pelo suprimento será alto. Em cenário de escassez de oferta, explica, o poder de barganha está nas mãos dos geradores e não dos consumidores.Para evitar negociações desfavoráveis e fugir à ameaça de apagão, alguns segmentos da indústria brasileira com uso intensivo de eletricidade, como alumínio, aço e mineração, partiram para a produção própria de eletricidade nos últimos anos. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia Elétrica (Abrace), Eduardo Spalding, algumas acabaram dando um tiro no pé, devido ao excessivo aumento de preço do transporte da energia da usina à planta de produção. "Isso ocorreu, por exemplo, com a fábrica da Alcan (atual Novelis) em Ouro Preto, que ficou com um mico na mão. Em 2002, a empresa pagava R$ 70 pela geração da energia e mais R$ 20 pelo transporte. No ano passado, o transporte já custava R$ 65, o que elevou o custo total a R$ 135, enquanto o custo da compra de energia na Cemig seria de R$ 110. Ou seja, a fábrica não conseguiu o retorno do investimento em geração e a usina não serviu para nada.

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