Custo de captação obriga tomadores a rever planos

Grandes empresas brasileiras preparam o lançamento de debêntures ou fundos de direitos creditórios (Fdic's) para captar recursos no mercado interno. Mas o ambiente é menos favorável do que nos últimos anos e o resultado tende a ser uma elevação de custos. Enquanto isso, poucas companhias buscam recursos externos, por causa da piora daquele ambiente para os emergentes.

O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2013 | 02h13

Um fator que afeta o mercado doméstico - a alta das taxas - também está presente no mercado internacional. Mas há outros fatores.

Justificam a piora do mercado, além de juros mais altos dos títulos públicos norte-americanos, a aversão a riscos decorrente da perspectiva de mudanças na política de compra de títulos pelo banco central dos Estados Unidos e o enfraquecimento das condições econômicas em grandes países emergentes, como Índia, Rússia e Brasil. Como consequência, há uma deterioração drástica do ambiente para os fluxos de capital destinados aos menos desenvolvidos, escreveu a economista Laura Tyson, ex-presidente da comissão de conselheiros econômicos da Casa Branca. Após uma fase quase ininterrupta de bonança, desde a crise de 2008, os mercados retraíram-se para os emergentes.

Entre os tomadores que ainda dão preferência à captação externa estão a Caixa Econômica Federal, o frigorífico JBS e, eventualmente, a Petrobrás. Mas, em julho, apenas duas empresas - a Odebrecht Óleo e Gás e o Banco do Brasil - emitiram papéis de renda fixa no exterior. No primeiro semestre, a captação externa foi de US$ 27,8 bilhões (só a Petrobrás captou US$ 11 bilhões). Para este semestre, as estimativas vão de US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões, segundo o jornal Valor.

Já no mercado local, nove emissões estão em andamento, segundo a Anbima e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mas uma das emissoras já admitiu captar menos do que o previsto originalmente (de R$ 1 bilhão para R$ 750 milhões) e pagar remuneração mais alta. Outra companhia reduziu o prazo de seis anos para cinco anos. Empresas de baixo risco elevaram o custo de captação, em média, em 30 pontos-base (0,3% ao ano), além da taxa do CDI. A retomada do mercado tende a ser "gradativa", notou um diretor do Bradesco BBI, Leandro Miranda.

A mudança nos planos de captação pode obrigar as empresas a desacelerar investimentos ou tentar alterar suas relações com clientes, o que tornará ainda mais lenta a retomada do crescimento econômico.

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