Custo de home broker é alto para corretoras

A maioria das corretoras que oferecem a seus clientes a possibilidade de negociar ações pela Internet ainda não está conseguindo receita suficiente para bancar seus custos. A conclusão resulta de pesquisa realizada pela Agência Estado com 14 das 25 instituições cadastradas pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para operar o chamado Home Broker. Os executivos da área apontam o tamanho do mercado em que atuam como um dos principais motivos para a receita insuficiente. Apesar de a participação das pessoas físicas estar crescendo no total negociado na Bovespa, as transações pela Internet ainda ocupam um espaço pequeno. Em janeiro último, o Home Broker respondia por apenas 1,13% do volume da bolsa, perfazendo R$ 323,792 milhões. "O mercado online é muito pequeno. Não dá para se sustentar apenas com o Home Broker. A receita vem basicamente de publicidade", disse o diretor do InvestShop, Marcelo Noll Barboza. A falta de uma cultura de investimento em renda variável é outro entrave ao desenvolvimento das operadoras de Home Broker. "O Brasil deve passar por um processo educacional para elevar o número de clientes que negociam ações", afirmou o diretor da Coinvalores, Randolph Haynes. Os executivos lembram que o brasileiro costuma aplicar seus recursos em renda fixa, mais especificamente na poupança. "O cliente quer ter uma ligação com a corretora, pois acaba se sentindo mais seguro", observou Andréa Fonseca Alves, do Departamento de Marketing da Planibanc, levantando mais um fator de retração: a confiabilidade. Apesar de custo corretoras apostam em crescimento Na opinião dos executivos do setor, a tendência é haver uma consolidação no número de concorrentes, com redefinição de estratégias e de custos operacionais. "A Socopa consegue sobreviver graças ao baixíssimo custo interno", afirmou o gerente da área técnica da corretora, Paulo Prado. O diretor do Investshop, Marcelo Noll Barboza, dá um exemplo externo para sustentar sua previsão. Ele disse que nos Estados Unidos apenas quatro corretoras detêm 63% de todo o mercado. A perspectiva de concentração não significa que o setor de negociação online de ações esteja fadado ao encolhimento. Ao contrário. Os executivos estão animados e apostam em crescimento no número de clientes. Pelo raciocínio, a Internet facilitaria a chegada de investidores até então alheios ao mercado. A própria trajetória da economia brasileira explica parte do otimismo. Segundo eles, uma redução ainda maior dos juros, por exemplo, abrirá espaço para que mais pessoas invistam em renda variável. "Quanto mais a pessoa física se interessar pelo investimento em bolsas de valores, mais o Home Broker terá espaço para mostrar ao usuário que ele pode confiar no sistema", completou o responsável pela área em outra corretora, a Comercial, José Manoel de Gouvêa Neto

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