Custo de vida em SP deve aumentar por causa do álcool

O custo de vida das famílias que residem na capital paulista deverá sofrer um aumento de 0,30% em março impulsionado principalmente pela alta do álcool. A afirmação é do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Paulo Picchetti. Segundo Picchetti, uma tomada de preços feita pela fundação em vários postos de gasolina na capital mostra que, em média, o preço do álcool foi reajustado em 13,5%. Para a gasolina, o reajuste médio apurado foi de 2,9%."O reajuste da gasolina ficou próximo do sugerido pela Petrobras (2,6%) e o álcool, apesar de ter fechado com um preço elevado, não foi tão feio como muita gente esperava", disse. De acordo com Picchetti, as previsões mais pessimistas devem ter considerado os picos de reajustes verificados em alguns postos, de até 21%. Ele reforça que, se de um lado houve extremos, muitos donos de postos aplicaram taxas menores de aumentos no preço do combustível. O reajuste mínimo verificado para o álcool foi de 5,6% na primeira semana de março.PressãoPelas contas de Picchetti, os combustíveis deverão exercer uma pressão de 0,10 ponto porcentual sobre o IPC deste mês. Ao mesmo tempo, os alimentos e os artigos de vestuário deverão contribuir menos para uma taxa baixa de inflação como se verificou em fevereiro.Além disso, as quedas esperadas são insuficientes para aplacar o impacto das altas. Picchetti espera, por exemplo, uma queda de 5% nos pacotes de viagens em março, mas a sua contribuição será de apenas -0,05 ponto porcentual. 2006Picchetti ainda manteve a sua projeção de inflação de 4,5% para o fechamento de 2006. Os indicadores resultantes da desagregação do IPC mostram que a tendência da inflação para o médio prazo, apesar das altas pontuais deste começo de ano, é de convergência para o centro da meta inflacionária, de 4,5%, balizada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).Outro bom indicador de que a inflação, a despeito das pressões do começo do ano, não vai fugir do controle são os preços administrados. Grandes vilões da inflação nos últimos anos, estes preços vêm se mantendo em tendência de alta desde dezembro. Para este ano, dado as baixas taxas do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), de 1,45% e 1,62% no acumulado dos últimos 12 meses, respectivamente, os preços administrados não deverão pressionar a inflação como nos anos anteriores.

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