Custo de vida em SP subiu 2,92% em janeiro

O custo de vida na cidade de São Paulo em janeiro subiu em média 2,92%, segundo apurou o Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo Dieese. A taxa é 0,53 ponto porcentual maior que a de dezembro, que fechou em 2,89%, e é também superior ao aumento de 1,06% apurado em janeiro do ano passado. A alta de janeiro superou as expectativas até mesmo da coordenadora do índice, Cornélia Nogueira Porto, que projetava uma taxa de no máximo 2%.As principais altas dentro do ICV foram: Transportes (6,18%), Alimentação (2,18%) e Educação e Leitura (7,97%). Esses grupos contribuíram com 2,14 pontos porcentuais da taxa total apurada em janeiro.As famílias mais pobres foram menos prejudicadas pela inflação. Apesar da taxa média ter fechado em 2,92% no mês passado, o índice para as famílias com renda média de R$ 377,49, que compõem o extrato 1 de renda, fechou em 2,62%. Segundo os técnicos do Dieese, esse comportamento inverte o que vem sendo verificado ao longo dos últimos meses, quando as famílias mais pobres eram as mais prejudicadas pelo aumento dos preços.As famílias com nível intermediário de rendimentos, com renda média de R$ 934,17, a inflação subiu 2,83%. A maior alta apurada foi para as famílias de maior poder aquisitivo, que ganham em média R$ 2.792,90, para as quais a taxa chegou a 3,03%.A maior taxa para as famílias mais ricas decorreu do aumento dos combustíveis (30,03%) que acabou pressionando o subgrupo Transporte Individual, em 23,55%. O transporte coletivo, usado pelas famílias mais pobres, não sofreu aumento em 2002 e só acumula alta de 10,40% devido ao aumento ocorrido nas tarifas na segunda quinzena de janeiro.Mudança de patamar da inflaçãoA taxa de inflação apurada na cidade de São Paulo em janeiro confirmou a mudança de patamar da inflação. A observação foi feita pela coordenadora do ICV-Dieese, Cornélia Nogueira Porto. Segundo ela, essa mudança tem como base a variação média dos preços apurada em outubro, que foi de 1,13%. Em novembro, o índice saltou para 3,20%; em dezembro para 2,39%, e agora em janeiro para 2,92%. A coordenadora do ICV ressaltou também a porcentagem mensal dos itens que compõem o índice, segundo hipóteses de estabilidade. Dentro desta análise, ela verificou que os produtos que registraram deflação em janeiro do ano passado caíram de 12,8% para 8,4% em janeiro deste ano. Em compensação os itens que se mantiveram estáveis caíram 51,9% para 33,7%. E os produtos de inflação subiram de 35,4% para 57,9%.A mudança de patamar a partir de outubro, explica Cornélia, foi provocada pela desvalorização cambial que puxou principalmente os preços dos combustíveis. Era de se esperar, no entanto, diz a economista, que passado o período da incerteza em relação ao novo governo, que a inflação recuasse. "Não é portanto o que estamos observando, o que configura mesmo uma mudança de patamar inflacionário."O Dieese também demonstra preocupação com a contaminação dos preços no tradeables pela variação cambial como os preços dos serviços, por exemplo. Essa preocupação já havia sido apresentada pelo coordenador de preços da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), Salomão Quadros.RecuoO custo de vida no município de São Paulo deverá recuar para algo de 2% em fevereiro, segundo prevê Cornélia. De acordo com ela, essa queda em relação a janeiro, cuja taxa foi de 2,92%, se dará em decorrência da saída do impacto de Educação do orçamento das famílias paulistanas. No mês passado, o item Educação e Leitura, a terceira maior alta da composição do índice, registrou uma alta de 7,97%, dando uma contribuição de 0,55 ponto porcentual para a formação da taxa, o que representou um peso de 6,93% no índice geral. Na comparação com fevereiro de 2002, quando a inflação foi de 0,13%, a taxa deste mês será ainda muito elevada.Repressão da demandaO alto grau de repressão da demanda deverá fazer com que qualquer elevação da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em fevereiro torne-se inócua do ponto de vista da inflação. A avaliação é da coordenadora do Índice do Custo de Vida (ICV), Cornélia Nogueira Porto, do Dieese. "Para que a inflação caia, precisaríamos que a sociedade como um todo, como governo, comércio e consumidor se unissem no sentido de evitar reajuste de preços", diz Cornélia, ressaltando não acreditar que juros conseguem segurar preços. O Copom se reúne nos próximos dias 18 e 19 deste mês, quando deverá tomar medidas com relação à taxa básica atual de juros de 25,5%/ano.Inflação acumulada de 15,01% em 12 mesesA taxa de inflação acumulada nos últimos 12 meses até janeiro atingiu 15,01%. Segundo a coordenadora Cornélia Nogueira Porto, apesar de, em janeiro, a taxa mais elevada ter sido verificada nos gastos das famílias mais ricas, no acumulado do ano as pressões inflacionárias mais intensas recaíram para as famílias de menor poder aquisitivo. Desta forma, as famílias com renda média de R$ 377,49 acumulam em 12 meses alta de 16,29%. Para as famílias com renda intermediária, R$ 934,17, o aumento fica em 15,70%, enquanto que para as famílias mais ricas (R$ 2.792,90) o acumulado em 12 meses é de 14,35%.Os grupos que mais aumentaram no período foram Alimentação (20,12%), Transporte (19,95%), Saúde (18,80%) e Despesas Diversas (16,38%). No item Alimentação a maior taxa verificada foi no subgrupo da indústria alimentícia (26,05%), seguida pelos produtos in natura e semi-elaborados (18,69%). No grupo Transporte, a maior pressão veio do subgrupo Individual (23,55%), conseqüência direta dos reajustes ocorridos nos combustíveis, de 30,03%.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.