Custo de vida em SP teve a menor taxa em 7 anos em 2005

O custo de vida no município de São Paulo registrou no ano passado a menor elevação dos últimos sete anos, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). De janeiro a dezembro de 2005, o Índice do Custo de Vida (ICV) subiu 4,54%, a segunda menor variação anual de toda a história do indicador, iniciada em 1959.Em 1998, a inflação de São Paulo medida pelo Dieese acumulou uma alta de apenas 0,49%. A taxa do ano passado ficou 3,16 pontos porcentuais abaixo da registrada em 2004, de 7,70%. Especificamente, em relação a dezembro, houve uma desaceleração média dos preços, fazendo com que o ICV passasse de 0,38% para 0,19%.A coordenadora do ICV, Cornélia Nogueira Porto, considerou que a taxa acumulada da inflação de São Paulo em 2005 "foi uma inflação muito boa". Ela acrescentou que o aumento dos preços deixou de ser uma preocupação para o governo e que a elevação controlada dos preços deve-se principalmente a dois fatores, a valorização do real em relação ao dólar e o reflexo de uma renda da população ainda reprimida.No ano passado, a maior alta entre os grupos que compõem o ICV foi em Transportes, que avançou 9,62%. "Os reajustes ocorreram tanto no grupo individual (7,75%) como no coletivo (15%)", salientou. O grupo Educação e Leitura exibiu uma elevação de 8,28% no ano passado, enquanto Saúde avançou 6,37% no período. Já os grupos Equipamento doméstico (1,04%), Despesas Pessoais (0,92%), Recreação (0,89%) e vestuário (-0,25%) apresentaram variações inferiores ao índice cheio de 2005.Previsão para 2006A inflação em São Paulo medida pelo Dieese deve mostrar uma alta de 3% a 3,5%, segundo cálculos da coordenadora do ICV. O teto da estimativa é pouco mais de 1 ponto porcentual inferior ao resultado de 2005, de 4,54%. Ela salientou que para que sua previsão seja confirmada há necessidade de que a economia não sofra choques externos e que os preços públicos e administrados sejam reajustados em, no máximo, 3%.No segmento empresarial, Cornélia disse que espera uma "colaboração" para que não haja elevações excessivas, disse referindo-se principalmente às escolas e seguros de saúde. Ela também conta com a estabilidade do dólar ao longo deste ano, o que poderia evitar pressões em alguns preços.A coordenadora também considerou que, apesar de haver eleição presidencial este ano, o evento não deve trazer desgastes para a economia no campo inflacionário. "Ao contrário, a possibilidade de uma reeleição aumenta a perspectiva de que os preços não devem subir naquele ano", disse.

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