Custo de vida está mais alto

Apesar da tendência de índices mensais declinantes de inflação até o fim do ano, na faixa de 0,5% ou até menores, o consumidor ainda deve continuar sentindo no bolso a alta abrupta dos preços das tarifas de eletricidade, de telefone, dos combustíveis e dos planos de saúde em julho e agosto, a menos que ele obtenha reajustes salariais. É que o custo de vida hoje está mais alto do que no início do ano, enquanto os índices mensais estão oscilando muito pouco porque a maioria dos preços parou de subir.Uma simulação feita pela coordenadora do Índice de Custo de Vida do Departamento Inter-sindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (ICV-Dieese), Cornélia Nogueira Porto, revela que uma família de classe média, com renda mensal de R$ 2 mil em dezembro do ano passado, gastaria no fim de agosto R$ 2.118,16 para manter inalterados os seus hábitos de consumo. "Essa família teria de receber R$ 118,16 a mais para comprar os mesmos produtos e serviços", diz Cornélia.Classe média sente no bolsoO acréscimo de 5,91% nos gastos é a variação do ICV no período para essa camada de renda média, que destina uma maior parcela do que recebe com transporte individual, saúde e educação, comparativamente às classes mais pobres. A inflação neste ano, até agosto, desse estrato de renda foi superior à media geral de 5,54%, apurada pelo Dieese.A simulação mostra que, por grupos de preços, os maiores desembolsos para manter a mesma cesta de compras seriam registrados nos transportes (com gasto adicional de R$ 32,29), nos alimentos (R$ 26,18), na habitação (R$ 24,89), saúde (R$ 10,29) e educação (R$ 9,95). Como o rendimento médio do trabalho, isto é, a remuneração que cada trabalhador recebe, não cresceu neste ano, os consumidores estão mudando de hábitos para acomodar as despesas no orçamento.Consumidor ajusta despesasIsso quer dizer que o consumidor está mantendo os gastos compulsórios como energia elétrica, água, planos de saúde, educação e cortando despesas onde é possível fazer algum ajuste. Os ajustes nas despesas devem estar ocorrendo nos produtos e serviços passíveis de substituição, como a troca do transporte individual pelo coletivo e do produto de primeira pelo de segunda (caso da carne) ou naqueles gastos que podem ser adiados, como a compra de artigo de vestuário ou de eletroeletrônico.Há indicadores de que esse movimento de susbstituição já esteja ocorrendo. O fluxo de passageiros nos ônibus urbanos, que é uma das variáveis que compõem o Indicador de Movimentação Econômica (Imec/Fipe-Estadão), voltou a subir em agosto, depois de um ano de quedas consecutivas. Neste mês, o movimento registrado até a segunda quadrissemana continuou firme.Comportamento semelhante foi registrado no movimento de passageiros do metrô, que voltou no mês passado ao nível de 1998. Até junho deste ano, a série histórica estava abaixo da de 1999. No caso dos artigos de vestuário, por exemplo, os donos de confecções optaram por manter os preços da coleção primavera/verão, temendo que o consumidor adie as compras.

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