jarmoluk/Pixabay
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Custo dos empregadores com despesas médicas pode ser três vezes maior que a inflação em 2019

De acordo com relatório da Aon, os desembolsos com planos médicos devem subir quase 8% no ano

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2019 | 16h27

Os custos com planos médicos pagos pelos empregadores devem subir quase 8% em 2019. A tendência na taxa pode ser quase três vezes maior do que a inflação geral do ano, de acordo com um relatório da corretora de seguros Aon. O número supera a média da inflação geral de quase 3%.

O aumento médio previsto antes das mudanças que devem ocorrer nos custos médicos e farmacêuticos para planos médicos neste ano, custeados pelo empregador, era de 7,8%. O dado é ligeiramente menor do que os 8,4% registrados em 2018. Isso acontece por conta das medidas de contenção de custos, aquisição mais restritiva de produtos médicos, novas iniciativas de melhoria da saúde e taxas mais baixas de inflação projetadas mundialmente.

"Embora as tendências dos custos médicos de 2019 sejam as mais baixas se comparada aos anos anteriores, ainda são extremamente altas. Esperamos uma escalada contínua de custos devido ao envelhecimento da população global, maus hábitos de vida em países emergentes, mudança de custos de programas sociais de saúde e aumento da prevalência e utilização de planos de saúde patrocinados pelo empregador em muitos países", comenta Wil Gaitan, vice-presidente sênior e consultor atuário global da Aon.

O relatório da Aon reforça que as tendências globais dos custos de saúde projetadas variam significativamente por região, apontando que países das regiões da África/Oriente Médio e América Latina vão experimentar uma taxa anual de tendências de custos médicos maior se comparada com qualquer outra região, com 13,7% e 13,2%, respectivamente. Por outro lado, a Europa e a América do Norte têm projeções de aumento de um único dígito, com a Europa observando a menor taxa de aumento, com 5,1%.

"Apesar das reduções, os números para a América Latina e Caribe continuam muito altos. Em 2019, estima-se que a taxa anual geral de inflação dessa região seja de 4,7%. Os três países com as maiores variações são Venezuela, Argentina e Brasil, com 100.000%, 25% e 17%, respectivamente", aponta Nicolás Jiménez, líder da Aon na América Latina.

Hábitos de saúde ruins causam aumento de custos

O documento da Aon também aponta o impacto das doenças sobre os custos dos cuidados de saúde. Problemas como hipertensão arterial, diabetes, câncer, doenças cardiovasculares e questões respiratórias aparecem como as que mais impulsionam despesas com saúde na América Latina. Pressão alta, má nutrição, falta de atividade física, colesterol alto e obesidade também aparecem como focos de atenção.

"Alguns dos fatores de risco em todo o mundo facilitam o aparecimento de condições crônicas na população. Isso gera tratamentos de alto custo que resultam em aumentos significativos de longo prazo nas despesas médicas", analisa Tim Nimmer, atuário-chefe de saúde da Aon. "As empresas devem ter uma maior liderança em gestão de saúde, motivando seus funcionários e famílias a assumirem um papel mais ativo na gestão de sua saúde, participando de atividades saudáveis e bem-estar, cuidando proativamente e tratando o surgimento de qualquer condição crônica", diz.

Redução de custos médicos

Entre os conselhos para empregadores que desejam diminuir os custos médicos com funcionários está o uso de táticas já conhecidas, como ajustes no desenho do benefício saúde, iniciativas para controlar o uso excessivo dos planos e a negociação dos reajustes dos prêmios com as seguradoras e operadoras. Além disso, o relatório também confirma a existência e benefícios de outras práticas como a identificação e controle de condições crônicas nos estágios iniciais das doenças, que incluem testes diagnósticos e programas de prevenção.

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