Custo elevado com empréstimos limita planos de investimentos

O alto custo do capital de giro limita planos de investimentos das indústrias. Foi o que aconteceu com a Asvac, fabricante de bombas para plataformas de petróleo e indústria naval. A empresa cancelou a construção de uma nova fábrica depois de um atraso de três meses no pagamento de uma grande encomenda.

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Com sede no bairro Interlagos, em São Paulo, a empresa tinha planos de construir a nova unidade às margens da Rodovia Castelo Branco. Iria dobrar de 26 para 50 o número de funcionários e também o faturamento anual da empresa, de R$ 4,5 milhões, impulsionada especialmente pela demanda crescente por equipamentos para indústria naval e de petróleo.

"Perdemos 20% do valor de face da venda com o atraso", diz o diretor da companhia, César Prata. Ele conta que normalmente recebe 20% de adiantamento antes de começar a fabricar o produto e os 80% restantes 30 dias após a entrega. Mas, desta vez, foram quatro meses de espera, um de praxe e três de atraso.

O atraso levou a empresa a cancelar a nova fábrica, pois usou parte dos recursos como capital de giro, completado com recursos obtidos em bancos. No desconto de duplicata, a taxa cobrada foi de 4% ao mês ou 42,2% ao ano. No cheque especial para empresa, ou conta garantida, o custo é ainda maior: 9,5% ao mês. "Isso nos mostrou como é frágil a situação financeira da empresa quando ela depende de capital de giro do mercado." diz Prata.

Impostos. Além do alto custo do capital de giro, as indústrias reclamam que, pelo regime de substituição tributária, têm de pagar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do comércio antes de receber o pagamento da mercadoria, o que aumenta a necessidade de capital de giro. "É um absurdo ter de pagar antecipadamente um imposto que não é meu", afirma Ana Maria Savattero, diretora da Danval, fabricante de campainhas para ônibus e residências sediada na capital paulista.

Na semana passada, ela tinha um pedido de R$ 17,5 mil para ser entregue a um cliente em Minas Gerais. Mas teve de desembolsar R$ 2,5 mil para que a mercadoria saísse da fábrica. "E eu só vou receber daqui a 30 dias." Se o empresário não tiver o dinheiro do imposto, tem de recorrer a financiamento, descontando duplicatas. Ela argumenta que esta antecipação reduz o seu fôlego para novos investimentos.

"O regime de substituição tributária leva as indústrias a usar capital de giro dos bancos", conclui o gerente de Economia da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Luiz Cezar Rochel. / M.C.

Impostos

Na avaliação dos empresários,

o regime de substituição tributária adotado por alguns Estados, como São Paulo, é outro problema que compromete o caixa

das empresas.

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