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Custo limita retomada do crédito para as empresas

Boa parte das operações se refere a rolagem de dívida

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

A exemplo da retomada do mercado internacional de captações, os bancos também começaram a abrir os cofres para emprestar às empresas. Mas as condições impostas não têm empolgado muito o setor produtivo. Com custos altos e pedidos de garantias elevadas, boa parte das operações tem se limitado a rolagem de dívidas, especialmente de grandes empresas. No caso de capital de giro e recursos para investimentos, as concessões continuam retraídas. Em janeiro e fevereiro, o estoque de crédito recuou para os níveis de outubro, quando a crise estourou no Brasil. "A partir de abril, o mercado voltou a ficar propenso a emprestar, mas com restrições. Isso tem feito com que a retomada do crédito seja mais lenta e fique abaixo das expectativas do tomador", explica o vice-presidente do Banco Fibra, Maércio Soncini. Segundo ele, para as companhias que passaram bem pela crise, o crédito está praticamente normalizado. Nos demais casos, a principal restrição é o risco de inadimplência, o que eleva os custos dos empréstimos e aumenta as exigências de garantias. Segundo balanço do Banco Central (BC), os atrasos das empresas no pagamento das dívidas subiram para 2,6% em março em comparação a 1,8% de igual período de 2008. Os juros médios avançaram de 37,6% para 39,2% ao ano.Nesse cenário, quem mais tem sofrido são as empresas de menor porte, diz o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Júlio de Almeida, professor da Unicamp. Ele explica que nos dois últimos trimestres, as companhias resolveram o problema de falta de crédito reduzindo a atividade. "Hoje o crédito está estupidamente mais caro. Se as condições não melhorarem, elas terão de cortar, mais uma vez, o nível de produção no segundo semestre, o que vai impactar o PIB (Produto Interno Bruto)."O sócio da KPMG, Alan Riddell, diretor de Estruturação de Projetos Financeiros, corrobora a informação de Almeida. "Muitas empresas adiaram investimentos por causa das péssimas condições do crédito, seja por causa do juro elevado ou prazos reduzidos. A demanda maior por empréstimos tem sido para rolar dívidas."Ainda assim, a retomada do crédito não tem sido linear. Há grupos que têm tentando alongar seu endividamento, mas não tem tido sucesso porque a rentabilidade dos negócios diminuiu. "Temos tentando analisar cliente a cliente", diz o vice-presidente de Corporate e Empresas do Santander, Eduardo Dacache.Embora não classifique a medida como criteriosa, ele argumenta que nos últimos meses houve um avanço expressivo da inadimplência e das renegociações judiciais. "Portanto, não se trata de ser seletivo, mas de entender o problema do nosso cliente." Mesmo diante de um cenário menos vigoroso, Dacache espera um crescimento entre 15% e 20% da carteira de crédito para empresas neste ano.A projeção está um pouco acima da média prevista pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que anunciou esta semana uma expectativa de avanço de 14,6% das operações para empresas em 2009. Na avaliação de especialistas, as metas podem ser atingidas, mas desde que o governo tome medidas proativas à retomada do crédito.Na opinião do economista Carlos Thadeu Freitas, chefe do departamento econômico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o BC precisaria motivar os bancos a emprestar o dinheiro liberado dos compulsórios, que estão investidos em títulos públicos. "Hoje há uma liquidez excessiva aplicada em papéis do governo."Segundo ele, os grandes bancos tiveram um aumento de depósitos de cerca de 54,8% até março. Os empréstimos, no entanto, não estão avançando na mesma velocidade. "O que percebemos é que o crédito está voltando apenas para pessoa física e para grandes empresas." O economista defendeu a iniciativa do governo de usar Banco do Brasil e Caixa para elevar a concorrência no setor financeiro e diminuir os spreads (diferença entre o custo de captação e o que é emprestado ao consumidor), "que estão impagáveis". Há quem acredite que essa medida já está surtindo efeito. Em abril, a disposição dos bancos para emprestar foi muito maior, embora insuficiente, do que nos meses anteriores, diz o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira."Agora as empresas até recebem visita de gerentes para conversar sobre crédito, algo que havia desaparecido nos dois últimos trimestres. Eles estavam perdendo terreno em vários nichos para os bancos públicos."

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