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Custos de financiamento da Espanha sobem e ultrapassam Itália

Alta se dá em meio aos temores de que o contágio do déficit orçamentário de Portugal repercuta em toda a Península Ibérica

Andréia Lago,

28 de março de 2012 | 20h03

LONDRES - Ao avaliar os problemas da Europa, os investidores de bônus estão olhando além da dívida portuguesa na sua busca pela próxima aposta baixista, e essa busca chega ao fim logo no país vizinho. Os custos de financiamento da Espanha estão subindo em meio aos temores de que o contágio do déficit orçamentário de Portugal repercuta em toda a Península Ibérica. O yield dos bônus espanhóis de 10 anos estão em 5,33%, mais de 25 pontos-base acima do patamar do último mês. O foco renovado na Espanha representa uma mudança em relação há poucos meses, quando era a fraca economia da Itália e suas combalidas finanças públicas que estavam sob escrutínio dos mercados de bônus.

No começo do ano, os bônus italianos com prazo de 10 anos pagavam yields acima de 7%, dois pontos porcentuais acima dos papéis espanhóis com prazo similar. Agora, os mesmos bônus da Itália pagam yield de 5,087%, pouco abaixo dos yields da Espanha, indicando que os investidores estão ligeiramente mais confortáveis em carregar papéis do governo italiano do que dívida espanhola.

"Nós achamos que há um risco real de os yields dos bônus espanhóis subirem nas próximas semanas, está se tornando um ponto de pressão real", disse Mark Dowding, gestor sênior de portfólio da BlueBay Asset Management, uma gestora de ativos especialista em renda fixa e investimentos alternativos que administra mais de US$ 36 bilhões. No começo deste ano, a BlueBay apostava que os yields dos bônus espanhóis iriam ultrapassar e passar a ser negociados com um prêmio cada vez maior em relação aos da Itália.

A desconfiança em relação à dívida espanhola tem sido acompanhada dos crescentes temores sobre o financiamento de Portugal. Hoje, o economista-chefe do Citigroup, Willem Buiter, disse que "parece provável" que a Espanha vá precisar de um resgate internacional neste ano. A escalada nos temores relacionados à Espanha foi acionada pela decisão do premiê Mariano Rajoy, em 2 de março, de elevar sua projeção para o déficit orçamentário de 2012 acima da meta estipulada inicialmente. Quatro dias depois, os yields dos bônus de 10 anos da Espanha ultrapassaram os da Itália. "Agora, os investidores estão se concentrando nos fundamentos da Espanha, e estão descobrindo que um problema potencial pode estar a caminho", resume Cliff Noreen, presidente da Babson Capital Management, que administra US$ 139 bilhões em ativos. As informações são da Dow Jones.

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