Custos menores dão alento à indústria

Isso se deve à valorização do real, que tornou mais baratos os insumos importados

O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2016 | 03h00

No trimestre abril/junho, o Indicador de Custos Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) caiu 1,1% em relação ao trimestre janeiro/março. Isso não ocorria desde 2014 e se explica pela gravidade da recessão, combinada com menores preços em dólar. Ainda assim, é sinal positivo para a indústria, permitindo, em alguns casos, repassar a vantagem para o comércio e até para consumidores finais, ajudando a empurrar a inflação para baixo.

Diminuíram, no trimestre, os três componentes do indicador: o índice de custo tributário cedeu 1,2%, o do custo de capital de giro arrefeceu 7,7% e o índice de custo com produção reduziu-se em 0,8%. Os custos com pessoal cresceram 2,5% no trimestre e o custo com energia aumentou 0,1%, mas o item com maior peso – o do custo com bens intermediários – cedeu 1,9%.

Isso se deve à valorização do real, que tornou mais baratos os insumos importados. O câmbio também provoca alívio no custo dos empréstimos em moeda estrangeira, ajudando a explicar a queda do custo com capital de giro num momento em que os juros dos empréstimos em real continuaram subindo. Alívio pequeno, mas não desprezível.

Os economistas da CNI alertam para o fato de que a mudança no câmbio teve um efeito colateral, ao prejudicar a competitividade da indústria local nos mercados interno e externo. “A redução de 12,1% no preço dos manufaturados importados, em reais, foi maior que a queda de 1,1% nos custos industriais”, observou Maria Carolina Marques, da CNI. Além disso, os preços em reais dos bens industrializados nos Estados Unidos, um dos principais destinos das exportações do Brasil, tiveram queda de 8,9%, superior à redução dos custos industriais no País.

A CNI identifica mais uma tendência: a da queda de custos associada à correção de preços dos produtos industrializados, ajudando a recompor os lucros das empresas. Esse fenômeno foi identificado pelo terceiro trimestre consecutivo.

Numa conjuntura de grave crise, em que só a indústria dá sinais de ter chegado ao fundo do poço, os indicadores de custos ganham relevância pois permitem avaliar se será possível um ajuste mais suave do setor, em busca de aumento da produtividade, mas sem pressionar ainda mais o emprego.

O comportamento da indústria no segundo semestre, sazonalmente mais favorável para a atividade, é decisivo para vislumbrar o futuro da economia.

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