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Custos trabalhistas disparam na China

Pesquisa da Câmara Americana de Comércio mostra que o país começa a perder sua vantagem comparativa por causa do aumento dos salários

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2012 | 07h44

A China começa a perder sua vantagem comparativa em razão do aumento de custos trabalhistas, na opinião de 89% dos dirigentes de 390 empresas norte-americanas que operam no país, revelou pesquisa anual sobre ambiente de negócios realizada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham).

Na comparação com os resultados do ano passado, o levantamento mostrou redução do otimismo em relação à perspectiva de crescimento da segunda maior economia do mundo. A maioria espera alta em seus lucros, mas em ritmo inferior ao registrado em 2011.

A desaceleração do crescimento chinês continua a aparecer em primeiro lugar no ranking de principais riscos diante das organizações, mas a preocupação se aprofundou, com o porcentual de menções passando de 31% em 2011 para 46% agora. Em segundo lugar está o temor de perda de fôlego da economia global, apontado por 40% dos entrevistados - em 2011 o índice era de 27%.

Mas o maior aumento porcentual ocorreu na preocupação com a elevação dos custos trabalhistas, que saltou de 23% para 39% e elevou o item à terceira posição no ranking de riscos, à frente do aumento do protecionismo.

Salários sobem, "A China está ficando mais cara", disse ao Estado João Lemos, gerente-geral da brasileira Embraco, que desde 1995 produz no país compressores para refrigeração. Segundo Lemos, os salários de seus cerca de 2.500 funcionários aumentaram em média 9% ao ano nos últimos três anos e a expectativa é que continuarão em elevação.

A China está perdendo suas vantagens comparativas em "algum grau" para 76% dos entrevistados e em "elevado grau", na opinião de 13%, em um total de 89%. Na avaliação da Amcham, essa é uma das prováveis razões para menos empresas escolherem a China como o destino prioritário de seus investimentos.

Do ponto de vista de negócios estrangeiros, há mais riscos a ser considerados ao investir na China do que antes, diz a pesquisa, mencionando a inflação e o aumento de salários entre as maiores preocupações.

O porcentual de empresas para as quais a China é a prioridade número um em sua estratégia de investimentos globais caiu de 31% para 20% entre 2011 e 2012. Para 58%, o país está entre as três principais prioridades -no ano passado esse porcentual era de 47%.

Pela primeira vez a Amcham perguntou a seus associados se a elevação dos custos trabalhistas está afetando as operações suas operações na China e 82% responderam que sim.

A importância do mercado interno é crescente e 66% das empresas afirmaram que produzem serviços e bens para serem vendidos na China, comparados a 58% em 2010 e 61% no ano passado.

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