CUT defenderá manutenção da CLT no Dia do Trabalho

"Nosso 1.º de maio será o oposto do da Força Sindical." Assim o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, projeta as comemorações do Dia do Trabalho, quando a central enfatizará a necessidade de "manutenção dos direitos dos trabalhadores" e a interrupção da tramitação no Senado do projeto que pretende flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), caso o projeto não tenha sido votado até a data."Essa será a nossa grande bandeira", adianta, ao afirmar que a central estará disposta a buscar apoio de segmentos dissidentes da própria Força Sindical, a principal defensora das mudanças da CLT, para ampliar a série de protestos programados para o Dia do Trabalho.Segundo Felício, na última semana, durante os eventos que a CUT fez contra a flexibilização da CLT, até a seção de Minas Gerais da Força Sindical manifestou-se contrária a tramitação do projeto e, por isso, participou dos protestos. "Vamos procurar todos os movimentos sindicais", garante.A estratégia da CUT para este ano será seguir o mesma receita aplicada nas manifestações do último dia 21, contra a mudança da CLT. "Vamos fazer manifestações em cidades espalhadas pelo Brasil, sem uma concentração única. Colocaremos nossos sindicatos para trabalhar em suas respectivas cidades", explica.Em São Paulo, as manifestações serão realizadas em bairros de periferia, longe do centro, com o intuito de atingir um público diferente. "Queremos sensibilizar e demonstrar nossas reivindicações para pessoas que não estão habituadas a manter contato com sindicatos. Vamos nos aproximar de quem nunca esteve em um ato de sindicato", esclarece. "Essa será a orientação para todos os nossos filiados em todo o Brasil", complementou.A manifestação da Força Sindical no mesmo dia, que contará com a presença de artistas e sorteio de carros, apartamentos e eletrodomésticos, não preocupa a direção da CUT. "São Paulo tem mais de 18 milhões de pessoas na sua região metropolitana. De forma descentralizada, temos condições de atingir maior quantidade de pessoas", estima. "Pode ter certeza que os eventos da CUT não contarão com a presença de ministro que tira direitos de trabalhadores e nem terá sorteios de apartamentos e carros comprados com dinheiro de empresários, que fazem conchavos com a Força."

Agencia Estado,

26 de março de 2002 | 18h49

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