CUT faz manifestação contra alterações na CLT

Com mais de uma hora e meia de atraso, começou a manifestação da CUT em frente ao prédio do Tribunal de Justiça, na Avenida Paulista. Cerca de cem pessoas estão no local, acompanhando o discurso de integrantes da entidade. A manifestação de hoje tem como tema principal o Dia Internacional da Mulher, focando principalmente as alterações propostas pelo governo federal no artigo 618 da CLT. Segundo o presidente da CUT-SP, Antônio Carlos Spis, as alterações propostas vão prejudicar os trabalhadores porque permite que nos acordos entre patrões e empregados prevaleça sobre o que está previsto em lei. "Hoje é um dia para reflexão sobre machismo, preconceitos e discriminação da mulher no mercado de trabalho. Neste momento que o governo tenta mudar o artigo 618 é importante estarmos nas ruas para alertar a população", disse Spis. O artigo 618 trata dos benefícios previstos em lei aos trabalhadores, tais como décimo terceiro salário, licença maternidade, hora extra e adicional noturno. Para o presidente da CUT, os sindicatos conseguem negociar com as empresas porque os benefícios estão previstos em lei. Por isso, a alteração que está sendo proposta pelo governo federal, de que esses benefícios sejam passíveis de negociação, deverá trazer perdas aos trabalhadores.Spis exemplifica citando o caso hipotético de uma empresa que vai se instalar em São Paulo e que vá contratar 150 funcionárias. "Se a alteração no artigo 618 for aceita, essa empresa pode dizer que não tem condições de dar 120 dias de licença maternidade, mas apenas 80. Os trabalhadores vão se sujeitar a essas situações, mesmo que os sindicatos digam que ele não deve fazê-lo, por causa do desemprego", explicou.A manifestação da CUT deverá seguir do Tribunal de Justiça até a Praça Osvaldo Cruz, situada também na Avenida Paulista, onde encontrará representantes de outras entidades que estão participando do Dia Internacional da Mulher. Na Praça deverão estar presentes o pré-candidato do PT à Presidência. Luiz Inácio Lula da Silva e a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy.Curiosamente, ao lado da manifestação no prédio do tribunal, no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), um grupo de modelos participava de um quadro do programa televisivo O Melhor da Tarde, da Rede Bandeirantes. As modelos trajavam lingeries e chamaram mais a atenção do que os manifestantes.

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