CUT já admite criação da Alca

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) começa a assumir uma posição mais flexível em relação à criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O presidente João Felício reiterou hoje, depois de receber na sede da entidade o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que historicamente a posição da central continua a mesma, contrária à Alca.Mas amenizou o discurso ao admitir que acha correto o Brasil discutir com os governos dos Estados Unidos e dos outros países da América Latina como deve ser uma área de livre comércio e quem ganha e quem perde com ela.Felício disse que, para a CUT, a possibilidade de o Brasil ganhar com a Alca é pequena. Mas agora, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, há uma grande diferença. "O novo governo vai se sentar à mesa de forma soberana para garantir um comércio que favoreça o Brasil. Se for nessa linha, não há razão para sermos contra a criação de uma área de livre comércio que garanta o emprego e a sobrevivência da indústria", afirmou.Na reunião com Amorim, a CUT pediu o estabelecimento de um diálogo permanente das centrais sindicais com o Itamaraty, demanda que o ministro Amorim disse que aceitará. "Pela primeira vez, o debate comercial vai incluir governo, empresários e trabalhadores", comemorou o líder sindical.Em um mês, a CUT encaminhará a Amorim uma lista de questões para serem debatidas junto com o Itamaraty. Felício admitiu que poderá ser criada uma organização semelhante à Coalizão Empresarial, que representa os empresários nas discussões comerciais, mas de trabalhadores. Mas, para isso, é preciso que haja consenso entre os diferentes grupos. Caso contrário, cada central encaminhará suas propostas ao Ministério.Amorim começou seu contato com os sindicalistas pela CUT, mas afirmou que também visitará as outras entidades trabalhistas. "Para nós, tudo isso é novidade. Nunca na história os trabalhadores foram ouvidos nessas questões", disse.

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